19 de fev de 2018

Dariusburst: Chronicles Saviours [Review]

Plataformas / Formato:
- Digital (Steam, PS4, PS Vita)
- Físico (PS4 e PS Vita - Mercado Asiático apenas)
Desenvolvedores: Pyramid, G.Rev, Chara-Ani.
Publicado por: Taito
Lançamento: Novembro 2015


Um dos principais nomes dos shmups clássicos dos anos 80, Darius sempre foi um jogo amado pelos fãs. Mesmo com elementos variáveis nas diversas versões, o jogo sempre contou com jogabilidade coesa, alto nível de desafio, longa escala de progressão de armas e, acima de tudo, um inegável espírito de inovação em seu DNA.

Parecia que, à cada início de projeto, os designers sempre se perguntavam "o que podemos inovar desta vez?", e sempre acertaram. Darius foi um arcade que usou várias telas para simular um campo de visão maior, ainda nos arcades, diferente de Gradius e R-Type, que são jogos mais conhecidos, porém só utilizam telas convencionais. Tal idéia se repetiu em algumas encarnações do jogo, mas o jogador precisava ir até um arcade para poder usufruir de tal recurso, ao menos até Dariusburst:CS, em que é possível utilizar múltiplos monitores para simular o gigantesco playfield do fliperama.

Trambolhisticamente gigante, mas lindo de jogar.

O jogo em si é tudo o que se espera de um Darius moderno, sendo uma continuação direta do Dariusburst de PSP, já citado aqui. O mesmo estilo foi seguido, o mesmo sistema de armas, só que agora tudo é infinitamente maior em termos de conteúdo. Darius nunca foi um jogo linear, sendo possível escolher o caminho à se tomar ao fim de cada fase, e agora a Taito levou à sério a idéia de viajar para todo lado. A quantidade de planetas que precisam ser visitados até o final do jogo é imensa, as fases são diferentes entre si (algumas são convencionais, outras são um score-attack, outras são uma boss battle, outras são combinações de vários elementos do jogo), o que torna o jogo muito mais dinâmico e menos repetitivo que as tradicionais missões de "voar do canto esquerdo até o canto direito da fase e matar um boss".

Pensa num mapa gigantesco de grande...

Dá para dizer que Dariusburst:CS é quase um jogo de "mundo aberto", de tantas missões diferentes, modos de jogo e surpresas que aguardam o jogador. Sério, dá para jogar por meses e não ver tudo, e eu não vou estragar a surpresa de quem ainda não começou. :)

Mas inovações não param por aí: A coisa mais certa que se pode dizer de Dariusburst: CS é que trata-se de um jogo que os fãs estavam esperando - E não apenas os fãs da série! Há DLCs para adicionar naves / personagens de outros shmups que nem da Taito são! Oficialmente dá para se jogar com:

- Diversas versões das Silver Hawks (naves da própria série Darius).
- Naves de outros shmups da Taito, como Metal Black, Night Striker e RayForce.
- Naves da Cave: Dodonpachi, Ketsui e Deathsmiles.
- Naves da Sega: Opa-Opa, Galaxy Force e Space Harrier.
- Naves da Eighting / Raizing: Battle Garegga, Terra Diver e Mahou Daisakusen.
- Naves da Capcom: Side Arms, Varth e Progear.

Pack de DLC da Sega, um dos que estão à disposição no Dariusburst:CS.

Cada uma das naves tem um sistema de armas e power-ups diferentes, respeitando os jogos originais, ou seja, é totalmente diferente jogar com uma das Silver Hawks e depois trocar para a nave do Dodonpachi ou do Space Harrier, porque elas se comportam como nos jogos de onde saíram! Não é meramente uma skin, todo o comportamento da nave foi recriado dentro da engine de Dariusburst:CS, aumentando bastante a longevidade do jogo. Os DLCs são vendidos separadamente, individualmente e em pacotes.

Há, no entanto, apesar de Dariusburst:CS ser talvez o shmup mais inovador dos últimos anos, algumas reclamações comuns de jogadores logo que o compram:

1) Mas o jogo é muito difícil!

R: Não só difícil, mas longo e cheio de caminhos diferentes. Dariusburst:CS não foi feito para ser terminado em uma "sentada", do começo ao fim, com algumas vidas apenas. A dificuldade é acentuada, as fases são longas, e requerem memorização dos padrões dos inimigos e a escolha da arma certa no momento certo. Não tem truque! É um jogo feito para ser revisitado várias e várias vezes, pois há, sim, muito conteúdo dentro, e muita coisa para ser descoberta.

Cada boss tem suas características e vem em mais de uma versão, ou seja, sempre tem surpresa!

2) Mas o jogo é muito caro!

R: Sim, Dariusburst:CS custa US$ 50 desde que foi lançado e o preço não caiu. Ele entra em promoção na PSN e na Steam, mas nunca por muito tempo. Se for considerar que ainda tem os DLCs (Opcionais, mas afinal, quem não quer jogar com o Opa-Opa?), o preço fica bem maior. No entanto, ele não é mais caro nem mais barato que qualquer outro jogo AAA, feito Witcher, Grand Theft Auto, Call of Duty ou Battlefield. Jogos AAA, no lançamento, custam 50 USD, fato.

Warning: A huge battleship PRICE TAG is approaching fast!

O que aconteceu foi que, por ser um shmup (excelente, diga-se de passagem!), o preço não caiu, porque é assim o mercado dos shmups. A versão física do Battle Garegga para PS4 também custa uma fortuna, e é provavelmente uma ROM de alguns kilobytes apenas, com um emulador dedicado e uma interface nova. Agora, se você é fã de shmups e não paga 50 USD por um jogo tecnologicamente excelente, cheio de conteúdo e com um fator replayability enorme feito Dariusburst:CS, sinto muito, mas é melhor ir jogar outra coisa! O jogo foi feito para os fãs, coisa raríssima hoje em dia, e eu tenho certeza que muitos que reclamam do preço pagam 50 USD em um Fifa ou um Battlefield novo, rasos, bobos e cheio de microtransações.

3) Eu não consegui rodar Dariusburst:CS nas minhas três telas (ou algum outro problema técnico)!

R: Existem algumas hipóteses que podemos explorar antes de chegarmos a uma conclusão.

a) Caso seu setup de monitores seja composto por um Commodore 1084S, um Sony PVM de 4", um LCD da Itautec dos anos 90 que abre 640 x 480 e uma TV Telefunken branca e preta, com lateral de madeira, cheia de cupim, que você catou do lixão municipal, sinto em te informar, mas pode ser que não funcione. Só suspeito.

b) Caso seu computador seja um Athlon XP daqueles que são usados para assar leitoa em churrascaria, ou se é algo modernoso e atual feito um K6-450, rodando Windows XP ou Windows 98 (com suporte USB), também é difícil afirmar se vai funcionar mesmo ou não. Eu apostaria que não. Vai precisar de algo um tiquinho melhor. Vai dar pau no save, para rodar o jogo, para jogar o jogo, em tudo.

Passei duas horas configurando e não consegui jogar, logo, ele é bobo, feio e chato!

c) Se você for meio limitadinho em termos técnicos. Tem gente com sérios problemas de cognição e que não conseguem associar um número (resolução da tela) a outro (ordem dos monitores), e aí pode ser que problemas aconteçam. Se for o seu caso, também não há solução. Lembra do "polegar opositor" do filme "Ilha das Flores"? Então...

d) Agora, caso você esteja usando hardware decente para rodar o jogo, digamos, monitores e desktop que tenham menos que uns 10 anos de idade, uma placa de vídeo razoável, e tenha polegares opositores, dá para configurar tudo e jogar com um pé nas costas. Infelizmente a Taito, que faz o jogo, não pode se responsabilizar por você ter hardware lixo, monitores lixos e por ser um elo perdido entre os humanos e os neandertais. A prova de que funciona são os inúmeros vídeos na internet, tipo este aqui logo abaixo:

(E não é um vídeo só, tem inúmeros. Google for it.)

Veredito: Dariusburst:CS é uma compra excelente, da qual eu não me arrependo e recomendo à todos (que não se incluam nos itens "a, b ou c" acima). Não é o shmup mais fácil do mundo, mas é algo que dificilmente vai se esgotar rapidamente, pois são inúmeras fases, caminhos, planetas, etc. Se você der 10 minutos de atenção ao jogo por dia, nunca vai tirar tudo dele. Ele requer, sim, algum empenho, pois há estágios bem difíceis, bosses bem complicados e um longo caminho até um dos (spoiler - um dos modos tem 186 fases!) finais possíveis. É um jogo diferente do que se viu até hoje em termos de shmups, os desenvolvedores estão tentando renovar o gênero com idéias de outros títulos AAA da atualidade, como DLCs, mundo aberto, etc, e o resultado é algo único, muito bem-acabado e que visualmente não faz feio.

PS: Se você se sentiu ofendido com algo que leu aqui, saiba que você, para mim, é problema seu!

26 de mai de 2017

Preview: Raiden V - Director's Cut (PS4 / Steam)





É o fim da exclusividade de Raiden V no Xbox One! A UFO Entertainment acabou de anunciar o lançamento de Raiden V - Director's Cut tanto para Steam quanto para PS4, fazendo a alegria dos fãs do gênero. Apenas à título de curiosidade, aconteceu exatamente o mesmo com Raiden IV, que ganhou uma versão expandida (Raiden Overkill) quando deixou de ser exclusivo dos consoles da Microsoft. Por algum motivo a ferramenta do blogspot não está encontrando o vídeo para exibição imediata aqui no blog, mas você pode conferir o trailer aqui.


O jogo já aparece listado no Amazon, ainda sem imagem, mas pode significar que talvez uma versão física venha à ser lançada! Dentre as novidades no jogo, estão a opção de escolher várias das naves, modos de tiro especiais, e co-op online. O lançamento oficial será dia 22 de Agosto deste ano, com o preço de pre-order de USD 39.

5 de abr de 2017

Preview: Skycurser (Arcade)

Um colega de trabalho, que também é fã de shmups, me chamou recentemente para visitar um dos arcades aqui de Londres. Para minha surpresa ainda existem alguns por aqui, e até são bem interessantes, mas o ponto forte deles, ao que parece, eram os jogos de ritmo/música. Haviam muitos pinballs, algumas máquinas clássicas, como os jogos de corrida da Sega, Namco, jogos de luta da SNK, Capcom, jogos de tiro com pistolas, uma ou outra do período Neolítico dos videogames (Rally X, Yie Ar Kung Fu e mais alguma coisa) mas o resto todo eram jogos de música. Tinha até um Rock Band todinho, montado em um canto, com aplificadores reais, enormes. Imagine a barulheira! Vi uns três ou quatro gabinetes que continham um PS3 / Xbox 360 dentro, e um deles tinha algo rodando MAME, com um bilhete "peça ao operador para trocar os jogos caso ele não esteja no menu".


Groove Coaster, uma das máquinas que haviam no salão. Parece um telefone celular gigante, mas, enfim, é um jogo para celulares...

Voltei do arcade pensando que é uma pena que lugares assim estejam condenados a desaparecer. No Brasil já desapareceram praticamente, e aqui não é diferente. São poucas máquinas novas surgindo, o que é compreensível, já que o modelo de negócio é bem fraco se aplicado fora do Japão, e os investimentos não se justificam. Alguns poucos malucos se arriscam a abrir arcades hoje em dia, ao menos no ocidente, um mercado abastecido por máquinas antigas e algumas poucas novas, feitas pelas grandes empresas japonesas (que hoje são bem menos do que já foram) como Taito, Sega, Konami, e um punhado de coreanas e chinesas e seus jogos de ritmo.


Pensa em uma música infernal de chata...

Eis que, eu estava errado! Em plenos 2017, Skycurser é lançado. A proposta do jogo é não migrar (ao menos nada foi dito até agora) para consoles, computadores, celulares, etc, permanecendo apenas nos arcades. Ou seja, a única forma de jogá-lo é indo até um lugar onde a máquina existe fisicamente. É um modelo de negócio ainda mais maluco que abrir um fliperama, mas aparentemente está dando certo, pois há várias máquinas sendo distribuídas, segundo a página dos criadores.


Arte do gabinete do jogo.

A arte do jogo parece ter influência direta de Metal Slug. A nave parece meio grande para um shmup, mas desde que a caixa de colisão não seja do mesmo tamanho que o sprite (que é uma tendência hoje em dia) não há problema. Uma pena que a maioria das máquinas estejam apenas nos EUA, e que não haja perspectiva de lançamento do jogo para plataformas domésticas, mas não acredito que vá ser algo exclusivo dos arcades por muito tempo. Afinal, se isso aconteceu com praticamente todo jogo de sucesso, porque não com Skycurser? :)

Algumas screenshots do jogo, que estão bem bacanas:




O preço para quem quiser comprar varia: Quem já tiver um gabinete JAMMA, apenas paga 700 dólares pelo jogo, mas é possível também comprar todo o hardware, inclusive o gabinete (este da foto, com arte e tudo mais), já pronto e configurado, por 3500 dólares.

29 de mar de 2017

Preview: Aaero (PS4 / Xbox One / Steam)



Seja sincero: De que jogo essa screenshot parece ter sido tirada? :)

Para quem é fã do velho e bom Rez, aquele que continua velho e bom, já que não teve uma continuação à altura (Child of Eden falhou miseravelmente, e os novos Rez são praticamente remakes do jogo original), há um possível novo game vindo para preencher o vazio deixado. Aaero (não foi typo, o nome do jogo é esse mesmo) tem várias referências ao original, e apesar do trailer ser meio ambíguo*, é possível ter uma idéia do que vem por aí.


O jogo vai sair para PS4 / Xbox One e PC (Steam), ainda no primeiro quartil de 2017. Gostei do fato de usarem dubstep ao invés de trance como trilha sonora. :) Acho que agora eu não escapo de comprar um kit VR . Já tem Battlezone, EVE Valkyre, Rez VR (porque não, né?) e Aaero.


*Eu ando com muita raiva dos trailers atuais de games, seja na PSN, no Youtube ou na Steam, porque existe uma tendência de não mostrar nada do gameplay! Os produtores optam por colocar historinhas de personagens conversando, flashbacks, frases jogadas, bobagem aleatória falando do background do jogo, mas nada do gameplay! Não sei vocês, mas eu nunca compro nada sem pesquisar bem antes (e mesmo assim compro errado), mas nunca, em hipótese alguma dou dinheiro por algo que não consigo nem ter uma idéia de como vai ao menos se parecer quando pronto.

27 de mar de 2017

Rude Breaker - PC-98 (Compile / 1996)

Este é para você, garotinho juvenil, que acha que manja tudo dos "Alestes" da vida.  Sinto em te dizer, mas sabe de nada! Se você não jogou Rude Breaker, está faltando este no seu currículo!


Hein? Seria este um "Aleste perdido" ? Vamos às perguntas:

1) Mas não tem "Aleste" na tela de título?

R: Não, não tem, eu também sei ler. Não tem o nome escrito em lugar nenhum, de fato, mas se você jogar, vai perceber que, sim, o jogo é 99% um Aleste, e dos bons por sinal! Tudo nele lembra o clássico da Compile, em termos de música, gráficos, jogabilidade. Não sei o motivo de simplesmente não chamarem de "Aleste", já que a franquia tem um monte de fãs que seriam automaticamente atraídos pelo jogo. A Compile é uma daquelas softhouses malditas que te obrigam a comprar um aparelho por Aleste mesmo, ou seja, este aqui não seria exceção. Fazendo uma listinha de recapitulação da série, temos:
- Aleste 1 / Power Strike 1 (MSX, Master System e Game Gear)
- Aleste 2 / Power Strike 2 (MSX, Master System e Game Gear)
- Aleste Gaiden (Só para MSX, e é um joguinho bem meia-boca!)

...aqui começa a palhaçada:

- M.U.S.H.A. Aleste (Mega Drive)
- Super Aleste / Space Megaforce (Super Famicom / SNES)
- Seirei Senshi Spriggan (PC Engine CD)
- Robo Aleste / Dennin Aleste (Sega CD / Mega CD)

E como eu falei lá em cima, pode até não chamar Aleste, mas dá uma olhadinha aqui, e me fala se escapa do teste de DNA. :)



Rude Breaker, em toda sua glória!

2) Compile, fazendo jogo para uma plataforma semi-morta, em 1996?

R: A Compile funcionou até 2003, e o último Zanac (Zanac Neo), que saiu na coletânea Zanac x Zanac, para PSX (disponível para PS3 também) saiu em 2001. A gente esquece como o Japão já foi uma potência produtora de inovação, hardware, software, etc, e que já conseguiu produzir coisas mais interessantes que simuladores de namorada virtual e joguinhos bestas de ritmo. Em 1996, curiosamente, ao contrário do que eu imaginava, o PC-98 não estava morto e enterrado junto com o MSX, o X68000 e o FM Towns! A plataforma resistiu no mercado até 2003! Por isso saíram tantos jogos para ele.


A pilota da nave é uma menina. Você já viu isto em Aleste!

3) Para que plataforma saiu isso?

R: Saiu para o PC-98, que foi um padrão de micros japoneses, muito popular por lá. Era um micrinho da NEC, ou seja, "parente" do PC Engine. Eu mesmo não conheço direito e mal prestava atenção nele, até descobrir a biblioteca bem interessante dele, e cheia de shmups (além de uma tonelada de sensacionais mahjongs, RPGs japoneses em japonês, e joguinhos pornográficos, como não podia ser diferente).


O nada extraordinário PC-98. Podia ser vendido com o logo da "Itautec" na frente.

4) E o jogo é bom?

R: MUITO bom! Não só o jogo, mas a música é simplesmente sensacional. Como não tenho um PC-98, joguei no emulador (recomendo o Neko Project), e estou com a musiquinha na cabeça até agora. O jogo parece muito mais inspirado na mecânica de M.U.S.H.A. que na dos outros jogos da série, pois você pode escolher um tipo de arma no começo do jogo, e elas são mais ou menos parecidas com as três do Aleste de Mega Drive. Os padrões de inimigos, power ups, sons, é tudo muito transbordando o DNA da Compile. Não achei um jogo difícil, e acho que do começo ao fim se passaram algo em torno de vinte minutos, mas acredito que para um jogo arcade, é o tempo necessário para chegar ao final. Os gráficos são bonitos, mas eu achei as cores um pouquinho esquisitas, talvez por não estar acostumado com o PC-98. Às vezes dá um pouco de slowdown, mas não sei dizer se é a emulação ou se era assim no original.


Saca a soundtrack, que coisa mais linda...

5) Conclusão sobre Rude Breaker?

R: Jogue. Apenas jogue. Baixe o emulador e jogue. Um shmup bom destes não merece ficar esquecido pelo tempo. Não tivemos PC-98 no ocidente, não vejo muitos sites falando sobre ele, nem mesmo entre as comunidades "fãs" de Aleste, Zanac, MSX, Compile, etc, parece que ninguém jogou muito ele. Esta pequena obra-prima merece ser jogada e re-jogada! Não entendi também o fato de ter saído tão tarde (1996), mas vai entender o mercado da época. O importante é que, hoje, qualquer coisa roda um emulador de PC-98, logo, o jogo está ao alcace de todos.

Nota: 8,0 - Eu pagaria por uma versão oficial de Rude Breaker, seja para PS3 / PS4 / XBox / Steam.

24 de mar de 2017

Administrando o backlog e voltando das trevas

Pois é, mais de um ano depois.

Eu sei, eu sei, atrasado com um monte de coisas, mas vamos colocando os assuntos em dia. Tudo bem com vocês? Espero que tenha alguém lendo ainda.

Há alguns meses eu tive a idéia de dividir o blog em duas frentes, deixando alguns assuntos aqui e alguns para o Facebook, e não sei se foi a melhor decisão, já que dividiu o foco do blog. Não que tenha sido um desastre - O conteudo do blog atingiu mais público, sem dúvida, pois o Facebook é muito mais dinâmico que este formato de internet "anos 90" de blog tradicional, além de permitir mais interatividade entre os leitores - Mas não sei se era exatamente o que eu queria. Agora eu conheço pessoas que me lêem, descobri que leio blogs de pessoas que me lêem também, e tenho um feedback mais frequente sobre os textos, apesar de achar que eles ficam mais "descartáveis" (como tudo que cai no Facebook, parece que vira meio que "uma leitura rápida" e nada mais).

Na real, estou em dúvida sobre mudar o formato do blog. Não para o Facebook, nem para o Twitter, que até servem como meio de divulgação, mas pensei em fazer algo para o Youtube. Ia ser engraçado fazer vídeos e falar com meu sotaque de caipira para vocês, mostrar minha cara feia (ou não, tipo o Life of Boris) mas acho que isso leva muito tempo e dá muito trabalho, e como eu sou um cara velho e escrevo para gente velha, acho que vai ficar tudo do jeito que está mesmo... ao menos por enquanto (que é aquela frase que a gente fala antes de deixar algo permanentemente para trás)!

Enfim, enquanto não decido o que fazer do blog, vamos ao backlog. Não vou fazer um review para cada um, pois é mais para falar do que estou jogando e o que eu recomendo que você jogue e/ou fique longe. A lista é grande e eu não consegui focar em nenhum deles, não o suficiente para emitir uma opinião. Para não ficar enrolando muito, vou fazer umas chamadas curtas, mais administráveis (para mim ao menos) aqui, assim também vou voltando aos poucos a falar.

Capaz da primeira já sair hoje. :)


30 de nov de 2015

Gradius V (PS2 / PS3) - Konami, 2004

O Playstation 2 foi uma das plataformas mais bem-servidas em termos de jogos. Só o sucessor, o Playstaion 1 (ou PSX) pode se comparar em termos de quantidade de títulos, e mesmo as grandes plataformas como o Mega Drive e o SNES ficam devendo quando colocadas em comparação. Tudo bem que quantidade de títulos não quer dizer qualidade, mas neste aspecto os consoles da Sony nunca pecaram: Muitos jogos foram lançados sim, mas muitas pérolas exclusivos, como é o caso de Gradius V.
A própria história do jogo é curiosa: Gradius é um shmup icônico da Konami desde sua primeira encarnação, em 1985, que tornou-se uma marca registrada da empresa e uma das franquias mais longas da empresa. Aparentemente, Gradius influenciou até R-Type, que é outro título icônico que saiu depois, e para muitas pessoas estes dois jogos são os que melhor definem o gênero "shmup horizontal". Após a versão de Gameboy Advance, que saiu em 2001, a última que foi feita totalmente dentro da Konami, alguma decisão fez com que a empresa terceirizasse o desenvolvimento do próximo título, que saíria para PS2. Os shmups de Dreamcast, como Border Down, Zero Gunner 2, Under Defeat, Gigawing e principalmente Ikaruga tornaram-se extremamente populares, e empresas como a Treasure (que foi formada por um time de desenvolvedores que saiu da Konami) mostraram-se muito competentes ao criar jogos deste tipo. Aproveitando o fato de que eles estavam todos com a "mão na massa" e, talvez, motivada por uma falta de interesse em desenvolver algo para a própria franquia, o desenvolvimento de Gradius V se deu pela Treasure e pela G.Rev, sendo apenas publicado pela Konami. Foi uma boa decisão? Quais foram os pontos positivos e negativos? É exatamente sobre isto que este texto fala!

Pontos positivos:

- Gradius V foi lançado! O principal ponto positivo é que, convenhamos, Gradius V tornou-se possível! Em uma época em que todo mundo queria jogar GTA Vice City, Burnout 3 e outros jogos que abusavam do 3D dos aparelhos, um shmup 2D talvez passasse despercebido. Eu mesmo já não esperava que saísse mais um título desta série, e foi uma grata surpresa.

- O jogo é muito bonito. A Treasure / G.Rev fez muito bem o serviço, aproveitando bem a capacidade do aparelho. É verdade que Gradius V lembra mu
ito um "Ikaruga horizontal" em termos de gráfico, com vários cenários abusando de maquinário metálico reluzente rodando pela tela, mas não vejo como um problema. Parece um jogo de Dreamcast com esteróides, mas enfim, isto é um elogio!



- Novos options! A Tresure é famosa por gostar de implementar novidades na jogabilidade, coisa que a Konami, mais conservadora, talvez tenha optado por nunca mexer muito em uma de suas séries mais antigas. Agora com o botão "R" do joypad, as naves possuem uma nova funcionalidade dos options, que adicionam uma função nova no jogo, dando mais replayability.


Tipo 1: Fixa os options, travando a movimentação da última posição deles, permitindo que o jogador "desenhe" uma formação da fileira de options na tela e congele a posição deles enquanto o botão R for pressionado.

Tipo 2: Direciona o tiro dos options. Eles continuam se movimentando, mas os tiros deles mudam de posição, permitindo que o jogador direcione fogo para algum alvo da tela.

Tipo 3: Afasta e aproxima a formação. Coloca os options ao lado da Vic Viper, aproximando e afastando eles quando R é pressionado, permitindo que o jogador espalhe os options pela tela, ou focalizando o tiro à frente.

Tipo 4: Formação giratória. Gira os options ao redor da Vic Viper, usando eles como defesa e ataque ao mesmo tempo.

- Dois jogadores! Gradius é um jogo que, tradicionalmente, permite um jogador apenas. Em Salamander e Gradius Gaiden é possível jogar duas pessoas ao mesmo tempo, mas em Gradius V é muito bom! O jogo é naturalmente difícil, e com dois jogadores fica mais tranquilo administrar a quantidade de inimigos da tela, o que foi uma adição muito bacana à fórmula, além do fato de que um jogador experiente pode "treinar" outro enquanto joga.


Modo 2 jogadores. Uma pena que a versão PS3 não tenha opção de 2 players online.

- Finalmente, alguma história é contada! Haviam alguns resquícios de história nos Gradius anteriores, nas versões de MSX e consoles, mas eram apenas algumas poucas cutscenes ou animações minimalistas. Em Gradius V há, sim, alguma história, contada com narração, um plot twist no final, animações e legendas. Não acho que história seja algo fundamental em um shmup, mas é muito legal quando há alguma.

Pontos Negativos:

- Level design meio pobre. As fases são meio tradicionais demais, iguais demais umas às outras, com poucos elementos que se destaquem. Como citei anteriormente, há muitos elementos mecânicos, muitas naves enormes que são invadidas, e acho que podiam ter ousado mais na criação. Não chega a estragar o jogo, mas Gradius era famoso por ter fases únicas, com estratégias específicas para vencer cada uma, e aqui o jogo acaba se resumindo apenas a atirar em tudo que se move, o que foi meio decepcionante.


Destroy the core! E são vários, viu. Vários mesmo!


- Onde estão os moais?  Será que foram todos exterminados em Gradius IV? Ou é uma linha do tempo paralela, onde eles não existem? Ou será que a Tresure simplesmente esqueceu deles? Pois é, aqui não tem desculpa. Os moai são elementos recorrentes da série, sempre tem uma fase dedicada, que costuma ser uma das mais difíceis. São parte da estética de Gradius desde o primeiro jogo, não foi esquecido nem nos spinoffs, e em Gradius V não há qualquer sinal deles. Se foi mero esquecimento, sinto muito, mas a Treasure não fez o dever de casa e muita gente sentiu falta. Os moais são aquele inimigo que vc ama odiar, mas não se esquece dele, e respeita muito quando aparece no jogo.


Eles estão lá, dificultando nossa vida desde 1985. Por favor, não mexam nos nossos moais!

- O fim de uma era? Gradius teve mais uma encarnação no Nintendo Wii, de nome Gradius Rebirth, mas é mais um tributo (em especial aos jogos antigos da série) que uma continuação, ou seja, há muito tempo não se ouve falar de outro jogo da série. Parece que houve uma possível continuação planejada para PS3, mas foi engavetada, e até agora não há qualquer menção de que um novo título. Será o fim dos Gradius? Até o momento, parece que sim. Chega a ser difícil pensar porque a Konami abandonou o título e ignorou uma parcela significativa dos fãs. Para muitas pessoas, um Gradius VI seria uma compra instantânea. E aí, Konami? Acabou mesmo? Se alguém tiver a resposta, estamos ansiosos por ela.

Veredito: Nota 9,0

Não tem muito o que dizer sobre Gradius V em termos de gráficos, som e jogabilidade. O jogo é praticamente perfeito nestes aspectos. É tudo o que o jogador pode esperar de um shmup horizontal, é um clássico reformulado, é bonito, é difícil (e como é possível fazer vários loops, pode ficar mais difícil ainda), tem novas opções de jogabilidade, e te faz voltar nele mesmo após anos (eu venho jogando desde 2004, quando saiu). Portanto, se tiver um PS2 encostado por aí, consiga uma cópia de Gradius V e divirta-se. É praticamente impossível se desapontar.

Há uns anos eu comprei um PS3 que roda jogos de PS2 só para jogar minha cópia de Gradius V, já que o leitor do meu PS2 havia estragado, mas hoje em dia não é mais necessário conseguir um aparelho antigo ou raro para rodar este jogo: Gradius V foi oficialmente lançado para PS3, e adivinhem? Ficou fantástico! É o mesmo jogo, não implementaram nada de novo, mas é impressionante como fica lindo jogá-lo em HDMI. Ele é um jogo da sessão PS2 Classics da PSN, e como todo jogo desta categoria, ele vem com algumas opções pré-definidas assim que vc o compra. Minha dica é: Coloque em formato 4:3 (que é o formato original do jogo, senão fica tudo achatado). Você vai acabar perdendo um pequena faixa lateral nos cantos direito e esquerdo da tela, mas o jogo em 16:9 fica horroroso, esticado, e ridículo. Também recomendo desligar o filtro de vídeo e jogar com os gráficos originais, que ficam cristalinos, limpos, e mostram tudo o que o artista quis desenhar nas TVs modernas, sem perder nada.

Seja jogando no PS2, em sua TV de tubo, ou em um PS3 em HDMI, Gradius V é um jogo obrigatório e que devia estar na biblioteca de todo mundo que se diz gamer. Poucos shmups chegam ao excelente nível técnico do jogo, e mesmo que você não seja fã do gênero, vale à pena jogá-lo. Alguns detalhes acabam estragando a nota do jogo, mas é injustiça dizer que ele não é um dos melhores shmups já feitos. Nota: 9