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14 de jun. de 2014

R-Type Dimensions (Xbox 360 e PS3) Irem/Tozai, 2014

Poucos jogos sobrevivem tão bem ao tempo quanto R-Type. Até os dias de hoje, quando se pensa em um shmup, é um dos primeiros que vêm à cabeça das pessoas, e não sem uma razão: Quando foi lançado para os fliperamas no Japão, lá em 1987, o sucesso foi tão estrondoso que saíram ports dele para todas as plataformas do mercado, tornando-o o shmup mais democrático de todos os tempos (nem Gradius conseguiu sair para tantas plataformas!). O legado de R-Type continua tão vivo, que foi um dos primeiros shmups a serem relançados para Android e iOS (e se você já achava terrível jogar qualquer coisa na tela de toque, espere até tentar passar da Mega Battleship, na 3a fase, sem controles físicos), mas como os consoles domésticos não podiam ficar de fora, a Irem disponibilizou uma coletânea para Xbox 360 e PS3 (bem atrasada para este último, saindo apenas em 2014), contendo dois de seus maiores sucessos: R-Type 1 e 2.


Poster da versão arcade, arte japonesa bacana como sempre.

Como grande fã de remakes que sou, tive um certo sentimento dividido quando tive a notícia: Será que não iriam estragar tudo? Sim, porque a Sega, campeã mundial de estragar jogos clássicos, havia lançado há pouco tempo seu "maravilhoso" Golden Axe Beast Rider, e eu não havia me recuperado do trauma ainda, além da própria Irem ter me frustrado com um fraco "R-Type Tatics" para PSP, que, bem, verdade seja dita, era um jogo de estratégia (pelo menos não tentou me enganar com o título), mas não era o que os fãs de shmups esperavam. A curiosidade foi mais forte e acabei jogando R-Type Dimensions até o fim. Várias vezes. Várias e várias e várias vezes. E mais algumas vezes em modo co-op. Informo, para meu (e seu) alívio, que a coletânea é sensacional e a os produtores da Irem/Tozai fizeram um trabalho de primeira, não apenas entregando um "pacotinho com emulador e roms", como a Sega costuma fazer, mas um remake fino, muitíssimo bem-acabado, todo retrabalhado, e que não mostra um sinal sequer de ser um trabalho ordinário.


Gameplay da famosa primeira fase de R-Type 1.


Os jogo são essencialmente os mesmos: Tanto R-Type 1 como R-Type 2 não tiveram elementos retirados ou acrescentados. Você pode escolher jogá-los em modo moderno (feito com gráficos 3D) ou clássico (todos aqueles pixels enormes que todo mundo adora), inclusive alternando entre um e outro enquanto a partida rola, em tempo real. Há também o modo "Crazy", que inclina a câmera em relação ao fundo da tela, criando uma perspectiva 3D diferente do moro horizontal 100% alinhado, o qual estamos acostumados. Há, também, um modo em que você pode colocar um gabinete arcade na tela, reduzindo muito a área jogável, um "agrado" que tentaram fazer aos fãs, mas que não deu muito certo.



Diferença de se jogar em modo normal (1a foto) e Crazy (2a foto).

Algumas opções de jogabilidade bem interessantes foram implementadas, modernizando e deixando o jogo mais interessante para a parcela de fãs não-hardcore.

- Agora é possível jogar ambos os jogos em modo co-op. Sim, quer terminar R-Type com um amigo? Só é possível aqui. Um modo co-op decente é algo que estava fazendo falta na série, que massacra facilmente o jogador iniciante, que tem que lidar com ondas e ondas de inimigos sozinho.

- Como R-Type é um jogo que depende um bocado de memorização (saber de onde vem os inimigos, onde os obstáculos estarão, etc), há um modo que te dá vidas infinitas e não para e reinicia a fase toda vez que você morre. Simplesmente, você perde uma vida e continua jogando. Não tem limite de vidas, mas ao fim de cada fase o jogo exibe um placar de quantas vezes o jogador morreu. Este modo é interessante para quem não conhece de cabeça o mapa de R-Type e quer "desbravar" o jogo todo antes de começar a jogar à sério, além de conhecer os chefes e, talvez, ver o final (não é interessante, já aviso aos curiosos, o R-Type que tem um final bacana é o 3, que não está neste pacote).


Sim, são duas R-9s na tela! E não é Photoshop!

- Se o jogador quiser desligar tudo e jogar no modo hardcore, com dificuldade super-hiper-ultra alta, contando vidas, sem co-op, o jogo também permite tal ato épico de heroísmo. Não é recomendado aos iniciantes, nem aos de grau intermediário, nem os que são fracos de coração. Este modo é extremamente cruel e vai te matar, te encurralar e te cercar de tiros com toda a maravilhosa maldade que esperamos de um jogo deste tipo.


Lembra do código bizarro do Master System para selecionar fase?
Aqui já fizeram o serviço, você seleciona no menu principal.

Enfim, se você é um fã de shmups, este pacote não tem como te desagradar. Se for fã de R-Type, então, nem se fala. Se não conhece shmups e quer aprender, é um clássico, não só importante para a história dos shmups como dos videogames como um todo (sim, R-Type é um dos 1001 jogos para se jogar antes de morrer, segundo o livro que agora saiu em português), e vem todo preparado para não te assustar logo de cara e permitir que o jogador desfrute de toda a experiência de jogar antes de tentar os modos diferentes, seja sozinho ou com um amigo (ainda que só localmente, pois não tem co-op online).

Nota: 9 - Pacote excelente, dois jogos excelentes, remake excelente, feito com capricho e todo preparado para a geração atual dos consoles. Se você é iniciante, jogue. Se for veterano, jogue. Se tiver um controle arcade, melhor ainda. Tem pequenos defeitos, algumas coisas que "sobraram", como o modo que coloca a máquina arcade na tela, mas não chega a ser um problema. Não ter co-op online é um crime e o que tirou o 10 deste jogo de fato, mas se isto não for um problema para você, pode comprar sem medo algum.

Curiosidades:

- O sucesso de R-Type foi tão grande que o legado do jogo vazou para vários outros, muitos que nem da Irem são. A quantidade de clones foi tão grande que vale à pena até fazer um artigo só sobre eles (que pode aparecer por aqui no futuro). Todo mundo queria ter seu próprio R-Type, e alguns acabaram se tornando jogos realmente bons.

- A quantidade de ports oficiais de R-Type é gigantesca. Desde o Game Boy tijolo, Game Boy Color, até o Commodore 64, Atari ST, DOS/Windows, Amstrad, Amiga, MSX, ZX Spectrum, Master System, Super Nintendo, Gameboy Advance, iOS, Android, PC Engine (que por sinal, a em CD é ótima!), Playstation 1-2-3, e provavelmente mais uma dúzia de outras que eu esqueci de listar. Nunca saiu um R-Type para Mega Drive, que é algo realmente estranho, visto que a plataforma era extremamente rica em shmups e essencialmente japonesa. Também nunca houve um R-Type para NES, mas isto não impediu a China de produzir seu próprio! Com o nome de Magic Dragon, o port é tão horroroso quanto interessante, e mostra que é baboseira a história de que "O NES não conseguiria rodar". Também nunca saiu um port para Jaguar e 3DO, mas afinal, estamos falando de videogames aqui, não de drogas.

- Os ports não-oficiais, por sua vez, também são fantásticos. Alguns que valem ser citados são tão descaradamente inspirados que chega a dar gosto. Citando apenas a nata (pois tem muitos mesmo!), que são os descaradamente copiados, às vezes pela própria Irem, mas bons mesmo assim, temos: Rezon, Pulstar, Blazing Star, Dux, Redux, Last Hope, Last Resort, Katakis, Denaris, Armed Police GallopDragon Breed, X-Multiply, Xexex e Thunder Cross 2. 


31 de out. de 2009

R-Type Flash of the Void - Preview (PSN)

Ok, não era exatamente o que eu esperava quando ouvi falar que seria feita uma sequência de R-Type, mas tenho que confessar que o jogo não me parece nada mal para um rail-shooter. O jogo, que será exclusivo da PSN, será lançado mês que vem e tem um visual bem agressivo, com um HUD cheio de coisinhas. Parece interessante. Ainda preferia algo no formato tradicional, mas rail-shooters bons são raros hoje em dia, ainda mais com o peso da Irem na produção.

Na Famitsu tem mais fotos, ainda que só se mostre mais do mesmo.

A grande pergunta é: Como vamos controlar o Force estando atrás da nave?

24 de set. de 2008

R-Type Leo (Irem, 1992) Arcade

Vamos contar: R-Type 1, R-Type 2, R-Type 3, R-Type Delta, R-Type Final. Certo ?

Não, errado!
Entre os episódios 2 e 3 do que é uma das melhores e mais populares franquias de shooters de todos os tempos, foi lançado um jogo chamado R-Type Leo, que ninguém conhece, ninguém viu... e que, sinceramente, não faz diferença alguma na ordem das coisas como elas são.

O que é R-Type Leo, então?

Basicamente, é uma tentativa frustrada da Irem, grande nome dos videogames, de pegar carona no maior título deles, e, sem cuidado algum, sem capricho nenhum, sem um mínimo de preocupação com os entusiastas da série, tentar arrancar os últimos centavos dos consumidores. Sim, R-Type Leo é um chute no saco, principalmente para quem está esperando algo tão bom quanto todos os outros episódios da série. A Irem "nivelou por baixo" desnecessariamente, apostando tudo nos gráficos e no "casual gaming". O jogo é fácil, bobo, intuitivo e não acrescenta em nada, nem sequer chega perto dos anteriores.

Mas qual é o problema com R-Type Leo? Não é mais um shmup bacana?

Veja bem: O nome "R-Type" é sinônimo de jogo bom. Os jogos da série, todos, sem exceção, são jogos pelo menos "ótimos". O clima de R-Type é muito bom, essa coisa que mistura sci-fi com terror, com tiroteios insanos, inimigos enormes, fases cheias de surpresas, cada qual com uma "mecânica" própria e lotadas de inimigos que estão sempre fazendo o que você não quer que eles façam. Cada fase de R-Type requer uma estratégia própria, que é totalmente diferente das anteriores. Não é como voar por um cenário diferente e simplesmente sair matando tudo, como nas fases anteriores, de novo e de novo, à exaustão. Você tem que pensar um pouco e entender quais são os pontos-chave de cada estágio, não cair nas armadilhas que existem lá, e, principalmente, se virar para adivinhar como matar o bigboss. Não é simplesmente uma busca para conseguir o tiro mais forte, achar o ponto fraco e matar.


Lá vai nosso herói, mais uma vez, salvar o universo das minhocas transdimensionais que moram em carcaças de cargueiros espaciais abandonados.

E, no entanto, é isso que R-Type Leo faz! Isso tudo que foi descrito no parágrafo acima NÃO está presente lá! É simplesmente um jogo onde se atira nos inimigos e que passa "voando" diante dos seus olhos, sem um grande desafio - E, principalmente, sem lembrar em nada os títulos anteriores. Como diria o Bruno, não passa de um sub-jogo, que por uma jogada de marketing, levou o nome de uma excelente franquia para garantir as vendas.

E tem mais: R-Type Leo não possui o famoso Force, marca registrada da série, que é um option que pode se prender na frente ou atrás da nave, ou deixado livre, como artilharia de suporte. Como assim, um R-Type sem Force? É como fazer bolo de chocolate sabor morango! No lugar, colocaram dois options esquisitos, que podem ser lançados nos inimigos e que ficam inutilizados por alguns segundos.

Como definir R-Type Leo em poucas palavras?

Se você não gosta de R-Type, é um shooter razoável. Se você gosta, vai se decepcionar.

Vamos aos números:

Gráficos: 9

Verdade seja dita: O jogo é bem bonito. Os gráficos estão polidos e brilhantes, sem defeitos, sem coisas grosseiras e mal-feitas. Estão um pouco "chapados" demais, podiam ter mais volume. Alguns inimigos, principalmente os bigbosses, que costumavam ser espetaculares, mostraram-se infinitamente sem-graça. Os designers originais não deram o ar da graça e, pelo jeito, a equipe de estagiários fez todo o trabalho de criação. Ficou aquela coisa bonita, porém, sem a menor criatividade.

Exemplo: O jogo é lindo, mas quantas e quantas vezes você já destruiu um bigboss igual a esse?

Som: 6

Musiquinhas razoávels que lembram as originais de R-Type, algumas melhores, outras piores, mas nada que vá mudar sua vida. No geral, o som não faz feio, mas também não acrescenta em nada.

Desafio: 5

Se você está acostumado com a série R-Type, cujos jogos são praticamente um parto para terminar, vai rir da cara de Leo. O jogo consiste praticamente em voar e atirar, voar e atirar, e só isso.

Diversão: 5

Existem jogos mais divertidos, assim como existem jogos bem piores. Digamos que R-Type Leo é perfeito para te salvar da programação da TV em um domingo chuvoso, mas só isso.

Inovação: Lembre-se! Inovar é criar um monstro cujo ponto fraco são os testículos!

Overall: 6

Sim, eu estou dando uma nota baixa para um R-Type, mas é merecida. Como os donos de Wii adoram dizer como único argumento em defesa de seu amado sub-console de jogos: Beleza não é tudo. O jogo é bem bonito, dá para jogar com 2 jogadores e foi absurdamente simplificado para se tornar popular, mas perdeu totalmente o espírito da coisa. Se você quiser apenas dar uns tiros a esmo, é perfeito, mas como R-Type é uma lástima.

Pontos interessantes:

- Foi o último Arcade da Irem, antes de ela entrar de cabeça no mundo dos pachinkos.
- Se passa antes de R-Type 1, em uma época onde a tecnologia do "Force" não havia sido descoberta. Tanto que o inimigo não é o Império Bydo, como de costume.
- É o R-Type mais fácil de todos, sem dúvida alguma.
- Saiu apenas no Japão (sorte do mundo ocidental!).
- É o único R-Type que permite dois jogadores simultâneos (será que foram na cola de Salamander???)
- Existe um jogo chamado R-Type Tatics (ou Command), que NÃO É um shmup!

Dados Técnicos:
Display: Raster
Resolução: 320 x 240
Cores: 1024
CPU: V33 @ 20 Mhz
Plataforma de Hardware: Irem M92

25 de mai. de 2008

Preview: Dux para Dreamcast (!!!)

Sim, mais um lançamento para nosso videogame-undead favorito. O reduto moderno dos shmups alternativos ganha mais um offshot de R-Type com gráficos 3D vistosos e a promessa de que a cena está longe de acabar.

Dux é um lançamento da NG Dev, mesmo estúdio alternativo que lançou Last Hope. O jogo vai ser vendido em mídia física pelo site HUCAST.Net.

O que me leva a pensar:

R-Type é um clássico. Sempre foi. O jogo e suas versões foram lançados para praticamente todos os consoles da época. São incontáveis os clones, coisa que vai ser matéria aqui, neste blog, em breve. Isso são fatos e contra fatos não há argumentos. Mas por que raios a Irem, fabricante deste clássico, não faz como a Konami, que continua lançando Gradius para os consoles atuais, e tenta pegar carona em títulos muito menos interessantes como R-Type Tatics, para PSP? Nada contra, pode ser um ótimo jogo , mas garanto que um R-Type shmup, como sempre foi, agradaria muito mais o público!

R-Type Tatics? Gráficos lindos, mas fala sério... olha que frustrante pra quem é fã da série.

O povo quer shmups, Irem! Faça o dever de casa, não invente moda! Mas, enquanto vocês não vêem a luz e deixam a Konami ganha grana às custas da Treasure, fica aí a matéria original sobre Dux, e o vídeo.