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2 de jan. de 2014

Vem aí: Remake de Steel Empire para Nintendo 3DS!

O Nintendo 3DS é hoje uma plataforma que conta com uma porção de shmups, infelizmente, poucos deles feitos para o próprio sistema. O portátil já conta com ports de Space Harrier, Nano Assault, Gradius, Xevious, Star Fox 64, Salamander, Galaga, Twinbee, Star Soldier, Recca, muitos dos quais são emulados via Virtual Console, o que garante um bom conjunto de opções, mas nenhuma boa biblioteca está completa sem um título de peso como Steel Empire, que chega este ano em um remake muito bonito para o console da Nintendo.




A UFO interactive, responsável pelo remake, ainda não se prounciou sobre datas, mas deve sair à qualquer momento. O jogo será exclusivo para download, mas é possível que seja lançado para o mercado americano também, o que nos dá acesso a ele. Seria bom se o mesmo acontecesse com Kokuga, que por enquanto só existe no mercado japonês.

19 de nov. de 2008

Shmups que mereciam continuação

Este é o primeiro "mini-documentário" do blog. Espero que gostem!

Às vezes, quando ficamos sabendo que vai sair continuação de um filme que gostamos, vem aquele frio na barriga e o sentimento de "lá vem lixo". Continuações nem sempre funcionam, isso é fato. Para filmes, ao menos, onde o mais importante é o enredo, o fato de "esticar" algo pré-existente pode vir a ser danoso. E mais, tem vezes que nós ficamos felizes por não saírem continuações. Não por não gostarmos do filme, mas por acharmos que o que existe é suficiente e que se sair algo mais, vai ser inferior. Muda o diretor, muda a proposta, a coisa sai toda acaba se tornando uma tortura televisiva que, teoricamente, derivou daquele filme que gostamos tanto.

Já na esfera dos games, temos histórias de continuações de sucesso e outras nem tanto. Muitas séries duram vários títulos sem perder o foco, outras mudam completamente com os anos, e outras, ainda, são uma caixinha de surpresas. Mas existem alguns jogos que são tão bons que é simplesmente desperdício não haver continuações. É claro que ser o único mantém o aspecto "cult" do jogo e muita gente gosta disso. Mas, em nome da existência deste post, vamos considerar aqui pessoas que gostem de jogar e não cultuar jogos, ou seja, que estejam interessados em jogos novos, baseados nos antigos, para se divertir novamente e não apena coloca-los na prateleira e ficar admirando (quadros existem para isso, afinal).

O critério, portanto, é: Ser um jogo bom e que não teve continuação. Deu um certo trabalho fazer a lista, afinal, algumas plataformas ficaram de fora e alguns foram citados aqui por menção honrosa. Mas, enfim, vamos à ela:

NES: Crisis Force (Konami, 1991)

Jogo excelente, feito pela Konami, provavelmente aproveitando as fases de scroll vertical de Life Force. Para um ou dois jogadores, dá para escolher três naves e tem umas cut-scenes bem bacanas na abertura. O sistema de armas é meio confuso e o ritmo do jogo fica meio lento às vezes, mas é possível evoluir a nave para uma "super nave" com os power ups e especiais. A música é linda e os efeitos visuais são do tipo que só foram se igualar com o lançamento dos primeiros jogos de Mega Drive. Não dá para entender o porquê da Konami não ter seguido com a série, já que Gradius tem scroll horizontal e a jogabilidade é bem diferente. Acho que ninguém ia reclamar de ver um Crisis Force 2 para Mega Drive ou mesmo para Super Nintendo, ainda que anos depois.

MSX: Space Manbow (Konami, 1989)

Nunca descobri porque não fizeram um Gradius para MSX 2.0, mas minha maior suspeita é que superar Space Manbow não seria fácil. O jogo, que não tem nada à ver com a série Gradius, é um shmup horizontal que tira leite de pedra do MSX. Cheio de gráficos lindos, música excelente, chefes grandões e muito bem-feitos para a época, além de possuir scroll variado e um nível de dificuldade que não massacra e também não facilita. Peca pelas poucas opções de jogabilidade e pela falta de power-ups decentes (afinal, quem está acostumado com Gradius acha um saco só ter duas armas em um jogo tão similar sendo que é feito pela mesma empresa). Até fizeram uma continuação homebrew, em 2005, com o nome de Space Manbow 2, mas segundo os reviews, o jogo é tecnicamente fraco e só rendeu aos produtores o respeito da legião de fãs. Bom mesmo seria se a Konami metesse a mão na massa e fizesse um Manbow 2 oficial. Aí sim...

Master System: Cloud Master* (Taito / Hot-B, 1988)

*Também conhecido por Chuka Taisen.

Confesso que nem ia incluir o Master System aqui nesta lista, uma vez que tem poucos shooters e 90% deles são sofríveis e/ou tiveram continuações (como Power Strike / Aleste). Outros, ainda, como Fantasy Zone, eu me recuso a colocar aqui por motivos óbvios: Na real, não sei quem tanto gosta dessa série. Mas lembro-me de um jogo que joguei muito no Master System, que era Cloud Master. Não é um primor, nem uma obra prima, mas passei muito tempo derrubando bichos mitológicos orientais com o rapazinho montado na nuvem. Existem outras versões do jogo, como a de MSX, mas a de Master System é a melhor (com som FM e scroll decente, fora que o jogo em si parece mais bem-acabado). O engraçado é que quando fui fazer a pesquisa sobre ele, descobri que já estão planejando uma continuação, de nome Shin Chuka Taisen, para Nintendo Wii. Mais parece um remake que uma continuação, mas ficou muito bom. E convenhamos, o jogo é a cara do Wii. Vi em alguns sites que sairia para PS2 também, mas até agora nada confirmado.

Mega Drive: Gaiares (Telenet, 1990)

A falida Telenet, que se tornou Renovation, era uma das minhas softhouses favoritas e tinha por marca-registrada lançar jogos com cara de anime e voltados quase que exclusivamente ao público japonês. Shooters, jogos de ação com menininhas com roupas de colegial e outras experiências bizarras com FMV em temas diversos. Porém, alguns shooters excelentes vieram desta leva e Gaiares, sem dúvida, é o melhor deles. Com uma arte, música e jogabilidade soberba, e um nível de desafio que tende a variar (ficando alto boa parte do tempo), o jogo conta ainda com um sistema que permie roubar as armas dos inimigos para si. Isso sim, era inédito! Se o inimigo tinha um laser grande e largo, era possível atirar o option nele e copiar (em parcelas) este laser. Alguns tiros não ficavam iguais, mas faziam mais ou menos a mesma coisa que os originais. Os chefões eram sempre robôs japoneses bem humanóides, imitando deuses e criaturas mitológicas, e o jogo é lotado com efeitos visuais como hiperespaço, viagem dimensional, nevascas, vento, água, etc. Sem dúvida, um dos melhores jogos de Mega Drive, mas, ficou perdido no tempo.

Amiga: Battle Squadron (Electronic Arts, 1992)

Esse é um dos muitos desconhecidos que o povo deixa passar batido. Um jogo bonito, difícil e cheio de pontos interessantes. Alguns inimigos tem um dispositivo de camuflagem parecido com o do "Predador", outros levam muitos tiros para morrer e outros, ainda, parecem adivinhar quais são seus próximos movimentos, desviando-se. Existe um sistema que permite jogar pela parte de cima ou de baixo do cenário, as armas ficam bem grandes depois de alguns power-ups e a jogabilidade e a dificuldade andam juntas, dependendo apenas da habilidade do jogador. As únicas questões sobre Battle Squadron: a) Muita gente não tem paciência para começar a jogar, pois o jogo já é difícil desde o começo. b) Muitas pessoas tem um preconceito bobo com relação ao Amiga, e simplesmente não o jogam. c) Muitas pessoas, donos de Amiga, usavam como controle aqueles malditos joysticks clássicos de Atari, que são horríveis para se jogar qualquer coisa (inclusive Atari!), quem dirá um shooter difícil feito Battle Squadron. Existe versão para Mega Drive, mas é visivelmente inferior, principalmente a música.

Super Nintendo: Axelay (Konami, 1992)

Este aqui eu também nunca entendi se era para ser uma versão nova de Salamander, um novo Gradius para SNES ou uma continuação de Space Manbow. Enfim, Axelay é provavelmente um velho conhecido de todos aqui. Jogo feito pela equipe que saiu da Konami e veio depois a fundar a Treasure, que também dispensa comentários, é considerado um dos clássicos eternos dos shooters. O jogo começa com um scroll vertical que utiliza o sistema de scaling / rotação dos SNES, porém, à partir da segunda fase alterna para visão lateral, muito similar a Gradius. Um jogo extremamente fine-tuned, que utiliza um sistema de armas que pode ser trocado usando os botões L e R, fases extremamente criativas, cada uma com seu desafio próprio, assim como os chefões. Este é, provavelmente, juntamente com Gaiares, um dos casos em que jogos ficaram mais injustamente esquecidos no limbo, sem continuação. Quem não adoraria ver um novo Axelay? Será possível que a Konami, Treasure (ou quem quer que seja que ficou com os direitos do jogo) não sabe disso?

PC Engine: Aero Blasters* (Hudson / Kaneko, 1990)

*Também conhecido por Air Buster.

O PC Engine é praticamente o Golden Grail dos shmups, tanto em qualidade quanto em quantidade, porém, muitos deles tiveram as devidas continuações e ficaram de fora da triagem. No entanto, este aqui é um jogo bem bacana, bonito, com um nível de desafio alto e que ficou sem "filhotes". Aero Blasters é um daqueles jogos que você ama odiar. Ele te dá uma surra com tanta classe, logo nos primeiros estágios, que você ou leva para o lado pessoal (e continua jogando) ou assume que é ruim e vai jogar Bomberman. Cheio de referências de anime, como naves que nunca voariam, armas exageradamente grandes e fases que tem corredores longos com scroll rápido e chefões bizarros, ele é o tipo de jogo que dificilmente passa batido por quem quer que seja minimamente interessado em shooters. Existe um modo para dois jogadores, que é bem útil, pois a quantidade de inimigos é enorme e alguém para levar tiros com você faz falta às vezes. Também não teve continuação, porém, saiu versão para Mega Drive em 1991, praticamente igual (tirando a música).

PC Engine CD: Lords of Thunder* (Hudson, 1993)

Conhecido no Japão como Winds of Thunder.

Continuando sobre o PC Engine, este aqui é mais um jogo que a gente se pergunta o porquê de ter sido esquecido. O background é bom, o sistema é bom, a produção é excelente, o resultado final é sensacional... e no entando a Hudson simplesmente engavetou depois do primeiro, sem dó nem piedade. O jogo conta a história de uma guerra entre deuses, onde o personagem pode escolher uma armadura de um dos quatro elementos (que vai definir o tipo de tiro), fora comprar itens com os cristais que são coletados durante o jogo. A música é heavy metal do começo ao fim, e valeria a compra do CD nem que fosse só para ouví-la. Quando o personagem chega perto de um inimigo, ele saca uma espada e dá porrada, mais ou menos como em Strider, além de terem bombas e power-ups à disposição. O jogo fez tanto sucesso que saiu para Sega CD também, em uma versão mais simples graficamente, sensivelmente mais fácil, porém, com a música melhorada. Não sei se ela foi tocada novamente ou se simplesmente remasterizaram, ou se o Sega CD tem um audio melhor, mas ela soa muito melhor que no PC Engine.

Neo Geo: Last Resort (SNK, 1992)

No meio de tantos bons jogos de luta, não era de se admirar que a SNK fosse se esquecer de Last Resort. Afinal, era década de 90, todo mundo queria ter sua versão de R-Type, e a empresa que crescia furiosamente e dominava os arcades do Japão e do mundo não poderia ficar de fora. Por conta das enxurradas de clones de Street Fighter que a SNK produziu, Last Resort acabou se tornando um jogo com pouca visibilidade na época e que mesmo os fãs de shmups acabaram não dando muita atenção. Porém, é um shooter excelente, difícil, longo e que deixa até os mais experientes "arrancando os cabelos" em certos momentos. Ele é o que eu chamo de a única versão de R-Type que é tão boa quanto o original, tanto em termos de desafio, quanto nos outros quesitos. Não deixa nada à dever nos gráficos nem na parte sonora, e só peca um pouco pela dificuldade em certas fases, onde os designers quiseram ser mais hardcore que os caras da Irem que projetaram R-Type (que convenhamos, já são hardcore o suficiente!). Em alguns pedaços o jogo simplesmente massacra o jogador. Mas nem por isso ele é ruim! Aliás, se está nesta lista é que, injustamente, não teve uma continuação digna.

Sega Saturn: Terra Diver* (8ing / Raizing / Electronic Arts, 1996)

Também conhecido por Soukyugurentai. Também há versões para PSX e Arcade, mas são inferiores.

Se o PC Engine é o Golden Grail dos shmups, o Saturn é o Silver Grail (se é que o termo existe). Afinal, é a plataforma onde nasceu o aclamado Radiant Silvergun, que só não está aqui na lista por ser considerado o antecessor espiritual de Ikaruga. No entanto, temos Terra Diver para o posto de "jogão sem continuação" da plataforma, e ele o merece sem dúvida alguma. O jogo é tão complexo que até se assemelha de certa forma a Radiant Silvergun. O jogador pode escolher entre três naves, cada uma com um conjunto de armas similares, porém, com características diferentes. Existe uma arma normal, uma especial e uma classificada como "wide array", que usa uma espécie de sistema de radar para travar e atingir vários inimigos ao mesmo tempo. O que realmente assusta em Terra Diver é o capricho em tudo. Os gráficos são excelentes, mesmo sem abusar do 3D (que não era o forte do Saturn), a música é linda e as sequências das fases é de tirar o fôlego. Tem uma, que eu adoro, que é o mergulho das naves dos jogadores, que saem do espaço e vão até o solo do planeta, para um ataque rasante contra um tanque enorme. Assista e diga se eu estou exagerando. E mais um que, infelizmente, ficou só no primeiro título...

Playstation 1: Einhander (Square, 1997)

Como assim a Square, que praticamente só faz RPGs, fez um shmup e ficou bom? Pois é! E ficou mesmo! Einhander é um jogo excelente, um dos melhores do PSX (entre shooters e outros), e foi obra de especialistas em outro gênero*. A nave tem uma espécie de "braço", que se conecta com os power-ups que são coletados dos inimigos, podendo muda-los de posição ou descartá-los. Já é um game totalmente em 3D, com câmeras que mudam de posição de tempos em tempos e causam alguma desorientação, mas nada que o desmereça. É tudo tão cuidadosamente bem-feito em Einhander que chega a parecer piada que a Square não tenha investido mais neste tipo de jogo. O jogo foi recentemente re-lançado para PSN, o que poderia ser um convite à uma continuação. Afinal, sonhar nunca é demais.

*Por mim, que odeio RPGs, eles podiam fazer SÓ shooters mesmo! Final Fantasy sucks!

Dreamcast: Rez (Sega / Uga, 2001)

Acharam que eu ia escrever sobre Ikaruga, né? Pois é, a dúvida entre os dois títulos era imensa e só consegui desempatar com o seguinte pretexto: Existe uma continuação de Ikaruga prometida para os consoles atuais. Se é boato ou não, eu não sei, mas nem o próprio Tetsuya Miziguchi, criador de Rez, embora tenha dito que está considerando a hipótese de uma sequência, não fez mais nada depois de Rez HD para Xbox 360. Sendo assim, Rez está mais em risco de ficar sem "filhotes" que o shooter da Treasure, que também foi lançado recentemente na XBLA. Em outras palavras, se lançarem Zero Gunner 2, Under Defeat, Border Down e Gigawing para XBLA, poderemos considerar que o Xbox 360 finalmente "fagocitou" o Dreamcast, pois não há mais razão para tê-lo. Ah, sobre Rez... bem, basta dizer que muita gente o considera uma experiência quase religiosa / transcedental, sendo também um dos primeiros jogos musicais da história (que acabaram virando moda ultimamente), além de ser um jogo retro-moderno com uma das melhores trilhas sonoras já feitas. Quem não jogou, que o faça AGORA! (Também existe para PS2!)

Playstation 2: Gradius V (Konami / Treasure, 2004)

Hein? Como assim? Gradius é uma franquia! E Gradius V é uma continuação dos demais! Sim, é fato... esta colocação aqui contraria a regra que eu mesmo coloquei para esta lista. No entanto, esta é mais uma parte da minha campanha: "Desengavetem a @#$%& do Gradius VI, Konami!!!". Conforme eu falei aqui anteriormente, eles simplesmente definiram que o próximo Gradius não é prioritário e que ele vai ficar aguardando produção até segunda ordem. Não tenho ficado muito feliz com o que a Konami tem feito com as principais franquias ultimamente, mas não acredito que eles venham a estragar o próximo Gradius, que é uma série que já tem mais de 20 anos! Além do que, é só entregar na mão da Treasure (de novo) e deixar que eles façam o trabalho. Ah, é claro que o PS2 tem bons shooters que poderiam estar aqui, mas alguém consegue me provar que há outro que merecesse mais uma continuação? Deixar o público sem esperanças de continuação com uma nova geração de videogames já instalada é no mínimo triste.

PS: E você, sentiu falta de algum nessa lista ?

PS2: Em breve: Shmups de ARCADE que mereciam continuação!

13 de mai. de 2008

Steel Empire (Hot-B / Flying Edge - 1992) - Mega Drive e GBA

Antes, um pouquinho de história. Tenho um certo envolvimento com esse jogo:

De volta a 1992, eu era um fã de shmups com 15 anos, sem grana e dono de um
Mega Drive
(talvez a melhor plataforma para shooters já feita). Os cartuchos originais eram proibitivamente caros e, além do que, nunca apareciam nas prateleiras. Não os que eu queria. Meu pirateiro local, no entanto, contornava isso trazendo os famosos cartuchos alternativos, fabricados em algum ponto obscuro da geografia terrestre, localizado entre o Paraguai e Taiwan. Eles sempre vinham em caixinhas plásticas genéricas com capas e labels feitos em papel de foto, coloridos, meio desbotados, custando mais ou menos US$ 15,00. O cartucho tinha formato americano, porém, o jogo era sempre japonês. E viva a globalização!

Eis que, por já me conhecer e saber que eu estava atrás de algum shmup (carinhosamente chamados de "jogo de navinha" na época), me chamou de canto na loja e perguntou quanta grana eu tinha pra comprar um jogo bacana. A resposta foi certa: "Não muita". Lembro que ele praticamente me deu o cartucho, pois veio errado. Era uma capa doida, toda em tons pastéis, parecia um zepellin com hélices, uns kanji enormes e, logo abaixo, escrito miúdo Steel Empire. Algo mais ou menos assim:


Ele só sabia que era jogo de navinha e que eu era o único maluco que comprava isso, logo, era vender pra mim ou ficar com mercadoria encalhada. Dei a grana e fui pra casa, sem saber ao certo se tinha comprado uma bomba ou não. Era um cartucho feio, pesadão e mal-acabado, achei que havia sido passado pra trás. Pra minha sorte, eu estava errado. Muito errado!

Steel Empire (ou Koutetsu Teikou no Japão, Battlewings na Europa) é um jogo sensacional. A arte do jogo é toda Steampunk, com cara de coisas que Júlio Verne criaria. Há um filminho na abertura, todo feito em sépia e com som de projetor de fundo, relatando a guerra entre duas nações: Silverhead (os bonzinhos) e Motorhead (os vilões que estão invadindo tudo e todos).

O império de
Motorhead, no entanto, não conta com a tecnologia superior de seu inimigo, que possui a Lightning Bomb, um invento que reproduz o fenômeno meteorológico do relâmpago de forma controlável, podendo ser usado como arma ou combustível das naves. Com isso, você, o último piloto de Silverhead, vai pegar o último avião (ou o último zepellin) da frota e rumar contra seus inimigos e suas insanidades mecânicas gigantescas. Como sempre, alías.




Dependendo da fase, o avião ou o zepellin são melhores. Eu acostumei a jogar o jogo todo com qualquer um dos dois, mas, fica aí a minha dica: Pegue o avião na 1a, 4a e 5a fase. Nas outras, jogue com o zepellin. Na última, tanto faz. É difícil com qualquer um. As diferenças são: O avião é mais manobrável, porém, tem menos vitalidade e o poder de fogo é dividido entre ar e terra. O zepellin é mais lento, praticamente não serve para matar alvos no chão, porém, tem uma arma auxiliar que lança bombinhas pra cima, em parábola, que é bem útil.





Com qualquer das duas naves é possível atirar para frente e para trás (é só trocar o botão de disparo) em qualquer momento do jogo, ou usar as raras
lightning bombs, que, por sua vez, mostram-se extremamente eficazes e muito melhores que as bombas dos outros shmups. O poder de fogo "sobe de nível" quando o jogador consegue coletar três power-ups de "Experiência" (???), mas não há variação de armas. Só o mesmo tiro que fica mais forte. Ainda há power-ups para encher a vitalidade, options, speed-up, e... bem... dinheiro... que não é usado em nada no jogo e só serve para aumentar o placar.

Por falar em placar, vamos aos números de
Steel Empire.

Gráficos: 9.5

É impressionante como este jogo foi bem-trabalhado. A escolha das cores, dos efeitos de luz, o design das naves... o jogo tem um charme que explora essa estética retrô como nenhum outro fez. O time de designers da Hot-B passou, sem dúvida, um bom tempo acertando todos os detalhes e até os críticos mais chatos (eu, no caso) não conseguem ter do que reclamar. Há quem vá jogar e dizer "puxa, mas o jogo nem é tão bonito assim". Se levarmos em consideração Gaiares, que é sobrenaturalmente lindo, eu concordo. Gaiares tem gráficos brilhantes, cores vivas, e Steel Empire é opaco, fosco, com aquela cara de coisa antiga. Mas a idéia é essa! Vou manter o 9.5, pois, na minha opinião, nota 10 mesmo só merece a
Renovation/Telenet pelo Gaiares. Que, por sinal, vai aparecer por aqui em pouco tempo.

Acima: Começo da terceira fase, um ataque-relâmpago começa com mergulho por entre as nuvens durante um por-do-sol. As cores vão mudando conforme a passagem e o fundo é todo em paralax.

Som: 10.0 - A música simplesmente se encaixa perfeitamente no contexto do jogo. Ela acelera quando tem que acelerar, desacelera quando precisa e é tem toda a cara de trilha sonora dos filmes de biplano da 1a Guerra Mundial. Não tem o que dizer. É perfeito, só isso. O som dos tiros e das explosões não está lindo, mas a música compensa e muito. Não vou estragar o "10.0" deste jogo por conta disso. Recomendo jogar usando fones de ouvido e, claro, capacete e óculos de vôo.

Desafio: 7.0 - O jogo não é difícil, nem fácil demais. Muda um pouco da AI dos inimigos quando se altera o nível de dificuldade, mas nada significativo. O que muda , de fato, é a quantidade de vidas e continues. Claro que depois da 4a ou 5a fase o bicho pega, mas se não pegasse seria estranho. Quem não é fã de shmups vai gostar da dificuldade de Steel Empire, pois não exige tanto assim do jogador e a curva de aprendizado é bem rápida. Uma pena que, depois disso, o jogo se torne meio fácil, à não ser nas últimas fases (digo "nas últimas" pois parece que o jogo está na última fase várias vezes, mas sempre surge mais uma!).

Diversão: 10.0 - Este é mais um 10.0 que eu dou sem medo de errar. Veja, o jogo tem dezesseis anos. Mesmo sendo tecnologicamente obsoleto e que eu já o tenha terminado inúmeras vezes, sempre que eu passo por ele, simplesmente acabo perdendo uma ou duas horas na frente da TV, pois é impossível não jogar até o fim. Podia ter um modo 2 players, mas não sei se o Mega Drive não ia abrir o bico ou se o jogo não ia ficar fácil demais. A coisa toda é muito bem equilibrada: Inimigos pequenos e grandes alternados, missões ar-ar e ar-terra... é perfeito.

Overall: 9.5 - Arredondando para cima mais uma vez, pois o Steel Empire tem vários extras. Bosses enormes, jogabilidade exclusiva, filminhos "de época" entre as fases, música perfeita, arte soberba e, principalmente, a virtude de ser um jogo extremamente viciante. O que faltou um pouco para ser perfeito era um grau de desafio mais elevado e um arsenal maior. Jogar com a mesma arma do começo ao fim do jogo não é lá muito divertido. Se tivesse pelo menos uma ou duas armas extras, aí sim, não teria do que reclamar. Mas, o grande diferencial que me fez gostar de Steel Empire desde a primeira vez que o joguei, foi o fato de ter história! Shmups com história são algo raríssimo! Acho que desde os Gradius de MSX que eu não via algo do tipo. O povo da Hot-B realmente fez o dever de casa. Uma pena que não tenham feito outros jogos deste nível e acabram sendo uma softhouse bastante obscura.


Pontos Interessantes:

- Na terceira fase, há uma Mega Batteship, parecida com a de R-Type. Ah, e essa é até verde!

- Na segunda fase, depois de destruir o boss, você tem que fugir da explosão que acontece dentro caverna em velocidade total, no melhor estilo Gradius. E o jogo vira ao contrário! Você sai voando pela esquerda! Bizarro!
- As últimas fases são simplesmente sensacionais e guardam ótimas surpresas. Jogue. Apenas jogue.
- Não confundir com
Steel Empire de Amiga, que é um jogo totalmente diferente.
- Por falar em Amiga, há um jogo que lembra muito Steel Empire, só que é vertical. Chama-se
Banshee, e é um shmup bem bacana, mas que nem chega aos pés deste aqui.
- Existe um certo replayability no jogo também, que é o desafio de se jogar tudo de novo com a nave que você não escolheu.
- Comprar ou Alugar? Se você tiver a sorte de encontrar um... compre! Se não for ficar com ele, venda pra mim! Um desgraçado me roubou este cartucho há uns anos e eu nunca mais consegui achar para venda, nem pirata.
-
Há uma versão para Gameboy Advance, com algumas correções nos sprites e gráficos melhorados, mas o jogo permanece o mesmo. Quem tiver um GBA, cuja biblioteca tem pouquíssimos shmups, já fica aí a dica.