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1 de ago. de 2015

Raiden IV (Xbox 360): Overkill (PS3/Steam)

Este vai ser um review 2 em 1, vamos ver como sai. Não tive a chance de resenhar Raiden IV até hoje, mesmo possuindo o jogo desde 2009 (vergonha), mas antes tarde do que jamais. Incrível pensar que este é um dos shmups que saem para todas as plataformas em formato ocidental sem muitas dúvidas: Tanto o Sega Genesis, Super Nintendo e o Turbografx-16 tiveram suas versões ocidentais de Raiden.  O mesmo aconteceu com o PSX (e curiosamente o Sega Saturn, que é um console com uma boa base japonesa não teve um Raiden),  o PS2 e agora o PS3 / Xbox 360. Aparentemente norte-americanos adoram este jogo, e o interesse tem atravessado os anos, o que acaba beneficiando todo o mundo ocidental que consome shmups, nós inclusive. Não anda muito fácil encontrar jogos "region free" para o Xbox 360, por exemplo, ou pagar o preço caríssimo dos jogos que saem apenas em mídia para PS3, importados. O bom é saber que não deve faltar lançamentos ocidentais de Raiden, o que é sempre algo para se alegrar. :)

Raiden IV (Xbox 360)

Raiden IV saiu para Xbox 360 em 2009, e é uma uma bela continuação da série. Se você jogou Raiden III, de PS3/Arcade, o qual apareceu aqui no blog em 2008, sabe que ele foi um upgrade gráfico na série, e ainda implementou algumas coisas novas em termos de jogabilidade (tipo o dual play, o tiro charged da arma secundária, opção de plasma laser ser o tiro verde do Raiden III ou o roxo dos anteriores, e uma terceira arma secundária, que são os foguetes direcionáveis). Já o Raiden IV, por sua vez, deu mais um upgrade gráfico na série, as músicas melhoraram, e foi adicionado o scraping, que é um multiplicador de pontuação baseado em quanto você consegue deixar os tiros inimigos "rasparem" na fuselagem sem destruir sua nave. Essencialmente o jogo continua o mesmo (ainda bem!), só que mais rápido, mais inimigos na tela, mais opções de prédios para destruir no cenário e afins.

Já a versão com expansão, Raiden IV: Ovekill, saiu para PS3 e PC (Steam) em 2014, e adiciona uma nova opção que é o modo Overkill, que dá o subtítulo ao jogo. Além da dificuldade ser significativamente aumentada (provavelmente mexeram na A.I. dos inimigos), agora quando você encontra um miniboss ou nave um pouco maior (não aquelas que se mata com dois ou três tiros) e a destrói, ela morre, mas não explode, permanecendo na tela por alguns segundos. Estes segundos são o tempo que você tem para acertá-la o máximo que puder. Uma barrinha horizontal surgirá logo abaixo da nave, e se você conseguir enchê-la (vai enchendo conforme os tiros acertam no inimigo), a nave finalmente explodirá, liberando um item correspondente ao bônus de overkill obtido. Ainda é possível escolher entre a versão nova e antiga das naves, e jogar com a fadinha (que está disponível no Raiden IV como DLC).



O modo Overkill pode parecer uma implementação boba, mas o jogo fica incrivelmente mais difícil, e muda muito a estratégia para vencer as fases. Os inimigos começam a se acumular, e você precisa decidir entre fazer pontos ou destruí-los. As músicas também foram remixadas, os gráficos parecem ligeiramente melhores que na versão anterior, e todas as opções de jogo anteriores, presentes na edição normal de Raiden IV estão aqui, ou seja, é um belo pacote para quem tem PS3 ou PC. Não existe versão física deste jogo, o que me desapontou um bocado (porque eu sou colecionador, cada um com sua doença!). Ele é exclusivo da PSN, e estava bem barato da última vez que conferi o preço.

Se você ainda não conhece Raiden:

Se você não conhece este jogo, há um bocado à considerar antes de começar à jogar: Raiden é, de uma maneira geral, um jogo que premia a paciência, memorização e a técnica, desde sua primeira encarnação. O jogo requer que você equilibre e planeje muito bem a forma como cada fase vai ser enfrentada, e fornece opções para isso. A escolha da arma certa define não só o seu estilo de jogar, mas também o quão você pode vir a sofrer com a fase à seguir. Os shmups são jogos que dependem de concentração, fato, mas Raiden é um exemplo que leva isso ao extremo. Se você resolver jogar distraído, sem foco na tela, vai morrer à beça e nunca vai fazer upgrade nas suas armas. Os movimentos precisam ser sutis e bem-planejados, e é impressionante a quantidade de tiros e inimigos que são evitados movendo-se menos, ao invés de colocando a nave do outro lado da tela em um momento de desespero (o que acabará provavelmente fazendo que você perca uma vida). Em Raiden, menos é mais. Menos no armamento. Aí sim, mais é MAIS mesmo, e é muito bom.



Armas principais do jogo:
  • Vulcan (vermelho): Forma um cone na tela, que vai aumentando a amplitude da área de tiro, mas é o mais fraco.
  • Laser (azul): É o mais forte, mas a área de tiro é bem pequena, formando apenas uma linha reta à partir da nave.
  • Plasma laser* (roxo): É medianamente forte, mas forma arcos voltaicos pela tela, perseguindo alvos maiores e atingindo vários inimigos ao mesmo tempo. São necessários 7 power-ups para que ele atinja potência máxima.
  • Proton Laser* (verde): É mais forte que o plasma laser, mais fraco que o laser azul, e começa como um raio muito fino, que depois se abre em três, e é direcionável.
*É preciso escolher entre o plasma laser e o proton laser antes do jogo começar, pois apenas um deles vai estar disponível.



As armas secundárias do jogo:
  • Mísseis nucleares (M), fazem mais dano, mas não são direcionáveis.
  • Míssies teleguiados (H), são os mais fracos, mas perseguem os inimigos mais próximos.
  • Míssies guiados por radar (R), tem dano mediano, e seguem o movimento da sua nave (como os tiros de River Raid), mas precisam de um pouco de treino para que o jogador consiga usá-los corretamente.
A combinação das armas, conforme falei acima, é algo que precisa ser considerado (e isto serve para todos os Raiden!). Os tiros vão melhorando conforme se acumula os itens da mesma cor, ou seja, não adianta variar. Quer subir o tiro vermelho? São cinco power-ups vermelhos. Vão aparecer outros para te tentar/atrapalhar, mas são apenas mais uma coisa que você vai precisar se desviar na tela.

Outra coisa, que é muito importante: Equilíbrio e combinação entre a arma primária e secundária. Elas atiram juntas (e por favor, coloque o mesmo botão de disparo para ambas na tela de opções, que, aliás, é algo que eu nunca descobri porque eles separam!), mas as funções de uma e de outra podem ser complementares ou acumulativas. Considerando que em Raiden IV (e no Overkill) é possível "carregar" a arma secundária ficando 3 segundos sem atirar (e vale à pena, pois sai uma rajada enorme baseada na arma secundária quando isso acontece), e que cada uma tem um funcionamento diferente, é bom saber com o que você está armado e o que vai enfrentar.


O tiro azul pode ser um problema se você estiver cercado.

Exemplo: Se você ainda não se acostumou com o sistema de armas, comece com o tiro vermelho e pegue de arma secundária o H (mísseis teleguiados). Isso vai espalhar seus tiros por uma área mais ampla, e os mísseis vão sozinhos para cima dos inimigos, permitindo que você se preocupe mais em desviar dos tiros deles e focalizar tiros nas naves maiores (lembre-se: Raiden não tem power-up para aumentar a velocidade da nave, ou seja, o movimento vai sempre o mesmo). O tiro roxo (plasma laser) também pode ser uma boa, apesar que ele confunde um bocado no começo, pois dá muita volta na tela.

Exemplo 2: Se você já está criando coragem para não seguir pelo caminho mais seguro, tente o laser (azul), e mantenha os tiros teleguiados (H) como arma secundária, como garantia, ou tente passar para os mísseis (R), se estiver mais seguro. É bom alternar entre os bosses e fases, e só ficar com o laser azul caso esteja bem seguro.

Exemplo 3: Se você vai enfrentar um boss, ou já está confiante o suficiente para desenvolver o máximo de dano possível com a nave, pegue o laser azul e os míssies nucleares (M). O jogo vai se tornar bem difícil durante as fases, pois você praticamente só vai atirar em linha reta, mas vai passar cortando entre os mini-bosses, e alguns bosses, como se eles fossem de manteiga. Se conseguir sincronizar os combates com o "charge" da arma secundária, então, é a chave para a destruição. Mas dominar esta configuração leva tempo, e vidas, e dedos calejados. :)

Para não dizer que tudo é lindo em Raiden IV: Por que diabos não usar mais da área da tela? Ok, nós temos TVs 16:9 hoje em dia e o display dos arcades é vertical (TATE), mas se o jogo vai ser lançado para consoles domésticos, porque não fazer um modo de jogo que use um pouco mais as laterias da tela? Dá cerca de 1/3 da sua tela sendo utilizada apenas. Ao menos dá para trocar o artwork das laterais, mas a bronca permanece. Não possuir multiplayer online também é algo que eu não consigo entender, mas é possível jogar localmente.


Gabinete arcade de Raiden IV (com o típico "banquinho", estilo japonês).

Bom, melhor parar de escrever por aqui, senão esse post vai ficar imenso. Raiden foi um dos shmups que eu mais joguei na vida, juntamente com Gradius, Zanac, Thunderforce, Axelay e outros, e eu poderia escrever mais páginas e páginas sobre. Se você gosta deste jogo e não conhece ainda os antecessores, recomendo fortemente que dê uma olhada em Raiden DX, que é uma versão remixada do Raiden II (para PSX), que é um possível candidato à review aqui, quem sabe em alguns meses.

Na avaliação geral, a nota fica:

Raiden IV: 7 (Xbox 360)
Raiden IV: Overkill: 8 (PS3 / Steam)

Curiosidades:

- O nome Raiden é o mesmo do deus japonês do trovão, 雷神 (Raijin), que também foi usado na série de jogos Mortal Kombat, devidamente ocidentalizado e alterado, já que o original não parecia tão interessante para um jogo de luta. Como a palavra é de origem japonesa, a pronúncia correta do nome do jogo é RÁI-den, e não RÊI-den, como é dito pelo narrador de Mortal Combat. 

- O hardware do arcade de Raiden IV é o Taito Type X, que é um hardware modular de PC, o que devr ter facilitado muito o port do jogo que hoje também está disponível na Steam.

- Antes do lançamento, Raiden IV foi disponibilizado para testes em fliperamas no Japão, como é prática costumeira dos desenvolvedores de shmups, e sofreu inúmeros ajustes com base na opinião dos jogadores, principalmente sobre o poder das armas, dificuldade e controles.

11 de mar. de 2014

Review: Neo XYX (Dreamcast / NeoGeo) - NG:Dev, 2014

Não vou precisar dizer novamente que o Dreamcast e o NeoGeo são os dois videogames "Highlanders" da história. Mortos e enterrados há mais de uma década, são mantidos vivos por meio de apoio da comunidade gamer que impulsiona um mercado que cresce cada vez mais: Produção Independente de games, ou indie gaming, que às vezes representa muito mais os anseios dos fãs que as propostas grandiosas e milionárias dos blockbusters. Acho que não seria diferente de comparar com cinema. Um filme independente, muitas vezes, representa muito mais para você que outra chatíssima comédia romântica com os bonitinhos da moda, ou outro blockbuster cheio de explosões e efeitos especiais, mas que não tem a menor graça. É um mercado de nicho? Sim, com certeza. Não levanta as mesmas cifras que as produções grandes, mas recebe o apoio de uma legião fiel de fãs, que não ligam de esperar e que vão consumir o filme, mesmo que não seja tão bom assim (e alguns vão aplaudir de pé).


Versão em disco, para Dreamcast...

No caso dos jogos produzidos pela NG:Dev, assim como outras empresas independentes como a Hucast e a Duranik, é sempre uma grata surpresa aguardar o anúncio de novos jogos. Eles não são caros (se comprados diretamente do fornecedor), mas são bem difíceis de se achar aqui no Brasil, e os vendedores cobram um "ágio" bem salgado (coisa de mais de 150% do valor), assim como incidem impostos e há o custo do envio. Ainda assim, com tudo isso, valem muito à pena pela qualidade do produto e do jogo em si, especialmente se você gosta de shmups e tem um Dreamcast ou um NeoGeo.



...ou para os fãs mais hardcores, em cartucho (de madeira!), para NeoGeo.

Neo XYX é, de certa forma, uma homenagem à vários shmups verticais da década de 90, dentre eles os da Toaplan, da 8ing/Raizing e da Fabtek / Seibu Kaihatsu. O jogo é extremamente bem executado, lembrando Flying Shark, Truxton, Tatsujin, Battle Garegga e Raiden Fighters Jet. Com jogabilidade extremamente simples, você usa três botões: um para atirar (tem autofire já implementado), outro para bomba, outro para reduzir a velocidade da nave enquanto pressionado (slowdown). Se pressionados juntos, o botão de tiro e de slowdown fazem com que você sacrifique parte da agilidade da nave em troca de um poder de fogo maior, mais concentrado. É possível rotacionar a tela entre os modos Yoko, Tate e um modo horizontal bizarro, que toma toda a tela, mas que também ajusta o controle e o HUD para que você possa jogar como um shmup de scroll horizontal. Apesar do ganho em área na tela é meio confuso jogar neste modo, mas ele vem configurado como padrão para o jogo. Uma rápida olhada nas opções e o problema é corrigido, inclusive também vale à pena desligar os filtros se você usa um VGA Box.


Dito isto, vamos aos números:

Gráficos: 8

A proposta de Neo XYX é ser um shmup anos 90 feito nos dias de hoje, a qual pode-se dizer que foi cumprida! Parece mesmo que esconderam um jogo de NeoGeo em uma cápsula do tempo por 20 anos, só desenterrando em 2014. O design mecânico é excelente, assim como os chefões, os cenários das fases e tudo mais. O único ponto que eu não gostei foi o fato de que, mesmo o Dreamcast tendo um hardware mais poderoso, não foi feita nenhuma melhoria em comparação aos modos gráficos do NeoGeo, ou seja, as duas versões são rigorosamente o mesmo jogo! Podiam ter implementado mais cores, mais resolução, lançado mão dos recursos mais avançados do console da Sega, mas se preocuparam em apenas fazer o mesmo jogo e nada mais. Ok, não é exatamente uma reclamação, afinal os gráficos são ótimos sim, mas eu não reclamaria se fossem um pouquinho mais polidos, justificando a diferença significativa de poder entre os dois hardwares.


Olha lá! Truxton! Oh, wait...

Som: 10

Um elemento dos quais eu tenho muita saudade das gerações pré-Playstation é a música dos games. Muitos jogos de hoje em dia (PS3 e Xbox 360) simplesmente não tem música in-game, e eu quase sempre me pego assobiando algum tema de jogo da era 8/16 bits. O compositor, Raphael Dyll, está mais do que de parabéns! Os temas encaixam-se perfeitamente no jogo e tem todo aquele feeling anos 80/90 e o balanço entre os sons do jogo e a tilha sonora ficou magnífico. Uma pena que a versão que venha com a trilha sonora seja bem mais cara, porque essa era uma que eu gostaria de comprar.



Neste vídeo é fácil notar como as músicas são boas e como o tiro não muda nunca...

Jogabilidade: 4

O jogo é bem difícil, como se espera de um shmup metódico dos anos 90. Não chega a ser um bullet hell, mas os padrões de tiros ficam meio cruéis nas últimas fases. Assim como em Flying Shark, os inimigos miram em você e não atiram a esmo, e os chefes intercalam aleatoriamente os padrões de tiros, o que eu gostei muito. O sistema de score é complexo, como em Raiden Fighters Jet e Battle Garegga, que obrigam o jogador a coletar medalhas deixadas na tela por inimigos destruídos. Não há power-ups, à não ser bombas, e aqui vai a minha bronca e o porquê de uma nota tão baixa na jogabilidade: Em pleno 2014, um jogo feito por veteranos como o time da NG:Dev, não ter power ups? Não troca o tiro, nem aumenta, nem options, nem escudo, nada? Nem mesmo um power up básico, que aumente um pouco o dano causado pelo tiro? Isso foi uma pisada de bola grotesca! O jogador vai, então, com o mesmo tiro do começo ao fim do jogo, algo que eu só admito em Ikaruga, por ser uma obra-prima! Todos os outros jogos da década de 90, sem exceção, merecem um power up, por mais insignificante que seja... e nós estamos em 2014! Enfim: Vergonhoso!

Diversão: 6

Por conta do problema citado acima, da falta absoluta de power-ups, o jogo torna-se cansativo rapidamente. Claro, é desafiador, tem um sistema de score interessante, chefões enormes, vários inimigos, gráficos excelentes, música maravilhosa... e a jogabilidade de um shmup de Atari 2600! Dá para ficar cansado dele em pouco tempo, pois você atira, atira, atira, atira, e nada muda! Não há expectativa de ficar mais forte, nem de trocar de tiro, apenas voar entre os inimigos e destruir tudo. Pode ser divertido se for o primeiro shmup quem nunca jogou nenhum antes - mas convenhamos - se você está lendo este blog, não é o seu caso e nem foi o meu!


Um dos chefões é um dragão metálico rosa. Tem como ser mais retro que isso?

Nota Final: 7

Era para ser, mas não foi. Ficou no "quase". O jogo é ótimo em quase todos os aspectos. Os controles são bons. Os gráficos são ótimos. A música é perfeita. O desafio é bom, na medida. Mas a jogabilidade peca terrivelmente pelo excesso de simplicidade. Faltou uma boa dose de pesquisa dos desenvolvedores, sobre o que implementar no jogo. Um option que fosse, um escudo, um tiro auxiliar, qualquer coisa que fosse acrescentada faria uma diferença enorme, mas optaram por deixar a total simplicidade no sistema de jogabilidade, que acabou soando como preguiça ou pressa. Mesmo assim, um jogo nota 7 e que vale à pena ser jogado, pois tem muitas qualidades técnicas, divertido e com um bom valor de replayability. Poderia ter sido muito melhor, talvez um dos melhores shmups da biblioteca de Dreamcast, se tivessem tomado um pouco mais de cuidado neste sentido.

12 de jun. de 2009

Raiden IV vai sair no Ocidente ! (para Xbox 360)



Por falar em Raiden, segue uma boa notícia! Raiden IV vai ter versão ocidental para Xbox 360! Alguém no oriente sabe que o jogo vende bem por aqui, pois ele vem sendo lançado por aqui já há umas quatro gerações de games. Ao que parece, abandonaram a fórmula "puramente arcade" e partiram para opções de multiplayer, DLC, enfim, todos os updates necessários para esta geração.

E o desgraçado do jogo tá bonito, hein? Só espero que não esqueçam do tiro roxo como em Raiden III!

28 de jan. de 2009

Raiden Fighters Aces - Será que agora vai?

Esses dias a Amazon colocou no ar o anúncio da versão americana de Raiden Fighters Aces para Xbox 360.

E claro, eu quase tive um treco. Raiden é um shooter "raiz". Por mais que Raiden Fighters seja uma coletânea de jogos que puxam mais para o lado do Sonic Wings / Aero Fighters, ainda é Raiden de certa forma. O pacote vem com Raiden Fighters, Raiden Fighters 2: Operation Hell Dive e Raiden Fighters Jet. Três jogos que só foram jogados pelos felizardos frequentadores de arcades do Japão e do mundo civilizado.

Repare que é um anúncio bem esquisito, afinal, a data de lançamento é dia 3 de Março e o preço é de US$ 29.90 - que corresponde a menos da metde da versão japonesa do jogo. Outro fator estranho: Não achei Raiden Fighter Aces no site do publisher que consta no anúncio.

O lançamento vai acontecer pela Zoo Games, cuja página me assustou logo de cara, tanto pelo mau gosto do design e dos jogos que estão anunciados, quanto por notar que eles praticamente só programam para a porcaria do Wii. Se bem que, competentes ou não, qual é o trabalho de criar uma versão de um jogo como Raiden no ocidente? Antes de mais nada, o jogo está pronto! O trabalho de localização do software é super simples, não é como um RPG. Não tem muito o que fazer, é só trocar uns poucos textos, tirar a trava de região e mexer em uma coisinha aqui e outra alí. Não tem muito como dar errado (espero eu!).

Isso, claro, se é que não foi algum erro da Amazon.com ao colocar o anúncio no ar.

Raiden Fighters Aces já existe há um tempão no mercado e por enquanto só pode ser jogado pelos usuários de Xbox 360 japonês. Antes que você pergunte, ainda não tem destravamento, ISO mexida ou reza-braba que faça ele rodar nos consoles americanos ou europeus. Resta à nós aguardar e torcer para que algum estagiário da Amazon não tenha cometido este engano.

20 de set. de 2008

Vontade de jogar Raiden ?

Se você tiver uma vontade súbita de jogar Raiden e não souber como, aqui está!


Não está perfeito, mas é bem legal e tem as trilhas originais. Dá para passar um bom tempo jogando!

16 de jun. de 2008

Raiden 3 - (Seibu Kaihatsu / Moss) - PS2 / Arcade



Desde que ouvi falar de Raiden 3, pude notar que as opiniões se dividiam. Alguns falavam bem, outros falavam muito, muito mal, o que é deveras estranho. Fãs de shooter costumam gostar da série, que é um clássico em plena quarta edição (Raiden 1 e 2 - no pacote "Raiden Project" - e o sensacional Raiden DX saíram para PSX). A pergunta na minha cabeça era: O que saiu de errado? Como conseguiram estragar Raiden, que é uma fórmula simples e que agrada sempre?

O jogo de 2005, criado pela Seibu Kaihatsu, lançado pela ilustre desconhecida "MOSS", não é lá muito fácil de encontrar. Consegui comprar minha cópia (sim, eu coleciono shooters e faço questão de ter os originais) em uma livraria, por um acaso, e paguei R$55,00 por ela, coisa que até que está dentro dos parâmetros de preço para jogos originais, uma vez que o adquiri mais como item de coleção do que como jogo.

À primeira vista, uma coisa me assustou: Os gráficos em 3D. Raiden em 3D é, sim, bem esquisito e acho que isso, em grande parte, fez o povo torcer o nariz. Não que o jogo esteja feio, mas é a assimilação da idéia que leva um tempo para acontecer. Não posso dizer que eu não prefira aqueles sprites grandões, desenhados à mão, à arte 3D meio insípida e "clean", mas também não dá para negar que ficou bonito. É a nova cara de Raiden, parece um Ikaruga e não algo saído de um Mega Drive com esteróides, e isso causa um certo estranhamento.


Agora as explosões e os lasers refletem nas superfícies, o laser azul ficou muito bonito.

Já o som, desse sim, eu não gostei. A trilha sonora de Raiden era algo que misturava batidas de rock com melodias eletrônicas, algo que empolgava, que ficava na cabeça, que te fazia assoviar no trânsito ou cantar no chuveiro, como as tilhas de Gradius, Afterburner, Tatsujin e Ikaruga. Já a trilha nova é algo infinitamente sem-graça. Parece musica de tele-noticiário das 7. Os efeitos sonoros são os mesmos das versões anteriores, mas a música-tema podia (e merecia!) ser melhor trabalhada.

Mas, sem dúvida alguma, o maior erro neste jogo foi trocarem o laser roxo, que dava voltas pela tela, grudando em inimigos maiores e pegando os menores por tabela, por um tiro verde que se desloca a 30 graus para a direita ou esquerda, à partir do bico da nave. O antigo laser roxo (o "power up" era roxo, mas o laser saía verde em algumas versões) era uma ferramenta e tanto para se conseguir acabar o jogo. Raiden sempre foi muito difícil, e, em algumas fases, sem esta opção, era praticamente impossível passar, pois você podia "travar" o tiro em um "mini-boss" e usar os "loops" que ele dava para acertar os inimigos menores que vinham voando. Já o laser verde, é completamente inútil ! Não tem uma fase sequer em que é melhor usar ele do que a o Vulcan (vermelho) ou o Laser (azul), e ele gera apenas uma dificuldade à mais no jogo: Evitar de pegar a arma verde!


O antigo tiro roxo não está mais presente...


.. e novo tiro verde, o pior inimigo em todo o jogo.

No mais, o jogo segue a fórmula básica, com algumas alterações. Achei mais fácil que os anteriores (principalmente que o DX, que é a "championship edition" da série), principalmente pelo fato de terem alterado o esquema de progressão das armas. Antigamente, era:

Vulcan nível 1 -> Pega o power up azul -> Laser nível 1 -> Pega o power up vermelho -> Vulcan nível 1

Agora é:

Vulcan nível 1 -> Pega o power up azul -> Laser nível 2 -> Pega o power up vermelho -> Vulcan nível 3

Ou seja, não é mais necessário "perseguir" um tipo de tiro para torná-lo mais forte. Desde que você saia pegando todos os power-ups, uma hora o poder-de-fogo da nave fica imenso, coisa que levava tempo e prática nas versões anteriores e que agora tornou-se fácil de conseguir.


















Atole o inimigo em pilhas de tiros!!!

Há, também, uma nova arma secundária, o "Rocket", que é uma bomba mais ou menos guiável (como os tiros em River Raid). Você dispara e ele segue o movimento da nave. Me pareceram bem úteis para serem usados contra os chefes de fase, mas nada que influencie muito a jogabilidade, principalmente se você tiver o azar de ter pego o laser verde, que faz a mesma coisa.

O jogo é divertido e, apesar de fácil, rendeu umas boas horas na frente da TV. O disco vem lotado de extras, modelos das naves em 3D, artwork, etc, e mesmo sendo apenas um CD-ROM, os caras tiveram o cuidado de tentar lotá-lo ao máximo. Mas a grande surpresa, que valeu a compra, ainda estaria por vir...

Depois de ter terminado o jogo de todas as formas possíveis, comecei a fuçar todos os menus de opção. Achei meios de esticar a tela, mudar o som, os controles, aquilo tudo que sempre tem nos jogos atuais. Porém, notei que haviam três modos de jogo: Single Player, Two Players e Dual Player. Poxa, por que dois modos de dois jogadores ? Descobri que um era, de fato, o já tradicional modo de dois jogadores, cada um em um controle, e que o outro é um modo que coloca duas naves sob controle do mesmo jogador, no mesmo controle ! Sim, você controla o Raiden azul e o vermelho ao mesmo tempo, usando os dois direcionais analógicos do controle, e o L1 e R1 como tiro e bomba do jogador da esquerda, e o L2 e R2 para o jogador da direita! E o jogo torna-se absurdamente complexo e divertido! Isso justifica o fato de terem reduzido a dificuldade e retirado o tiro roxo. Afinal, duas naves, cada uma com um tiro roxo, ia tornar o jogo em modo "Dual" maçante. É extremamente útil atirar atrás da nave que está na frente, fazendo um "spray" de tiro especial, excelente para matar os chefes de fim de fase. Mas ao mesmo tempo em que o jogador fica mais poderoso, por controlar o dobro de poder-de-fogo, o jogo torna-se muito mais difícil pois a quantidade de vidas é a mesma do modo "single-player", ou seja, menos vidas por avião perdido. Além do que, é necessário se esquivar por dois e controlar duas posições na tela simultaneamente.

Em suma: Um shooter clássico refeito, com novas opções de jogabilidade e gráfico remodelado. Tente o modo dual e seu cérebro vai fritar, mas por uma boa causa! Agora que os preços de jogos de PS2 estão caindo vertiginosamente, vale muito à comprar o original. Quem achou que perdeu dinheiro (ou mídia?) com este jogo, está muito enganado e devia tentar o novo modo dual player.

PS: Raiden IV está confirmado para XBOX 360. Espero que tirem o tiro verde, arrumem a música e mantenham o dual player mode. :)

Score:

Gráficos: 7.0
Não tem nada "faltando" em Raiden 3. Nem sobrando. Ele é tudo que se espera de um shmup feito para um console com capacidade 3D plena como o PS2. Não ficou nada mal, nem feio, mas os designers podiam ser mais criativos ou exagerados (como de costume) que ninguém ia reclamar.

Som: 5.0
O som não chega a ser ruim, mas é extremamente sem-graça. Fica a impressão de que se está ouvindo o tema de um telejornal o tempo todo. Onde estão as trilhas eletrônicas mescladas com heavy-metal e tom militar das outras versões?

Desafio: 6.5
Este jogo, sem dúvida, não foi feito com foco no maniac-player, e sim no casual. Não é difícil. Pode tornar-se difícil depois de um certo ponto, mas não tem aquela crueldade constante dos antigos Raiden.

Diversão: 7.0
Não é a coisa mais divertida já lançada para o PS2, mas vale umas boas horas, principalmente se você é fã da série. O modo de jogar com duas naves no mesmo controle, sem dúvida, é a coisa mais bacana do jogo e faz com que valha a compra. Recomenda-se adquirir também um par novo de olhos.

Overall: 6.5
Os fãs podem achar interessante. Os não-fãs vão achar "OK". Os que gostarem de um modo totalmente freak de jogar, vão amar.