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24 de abr. de 2009

Lords of Thunder - Hudson Soft (1993) PC Engine / Sega CD / Wii Virtual Console

Já que eu estou atrasado há um século nas postagens, vamos falar de jogos bons de verdade!


Nos idos de 1993, um primo meu que sempre viajava para o exterior apareceu com uma revista importada onde tinha um anúncio de capa inteira. Era um cara de armadura azul, desenhado pelo Masamune Shirou, o mesmo de Ghost in the Shell, onde havia a frase "Salvation for those Who Praise the Lords", a ilustração (não era exatamente essa, mas era algo do tipo), e depois as telas malignamente pequenas do jogo, cujo nome era Lords of Thunder. Para os padrões da época era uma coisa magnífica. Para um fã de shmups, como eu (que já identifiquei no ato o que era o jogo), era algo mais que magnífico. Porém, este mesmo fã era um pobre adolescente brasileiro que sequer tinha visto um PC Engine na frente, o que fez com que a experiência fosse muito, mas muito desesperadora.


Aqui cabe um adendo: Ok, o PC Engine (apelidado carinhosamente por muitos de "PCE") não é lá a melhor máquina do mundo em termos de hardware. Perdia feio para os concorrentes da época, como Super Nintendo, em vários pontos. Do Neo Geo, então, nem se fala. Mas ele tinha, sem dúvida, a melhor coleção de shmups da época, talvez empatando apenas com o Mega Drive, o que, na minha concepção, o fazia o melhor console do momento (1992-1995), sendo destronado apenas pelo PSX e Saturn, que só pegaram direito no mercado alguns bons anos depois. Aliás, que raiva que não haviam PCEs aqui no Brasil. Eu mesmo, só fui jogar esse videogame nos idos de 1998-1999, quando comprei um.


Enfim, o ano era 1999. Juntei um dinheiro e comprei meu PC Engine. E, claro, o primeiro jogo que eu queria jogar era aquele da capa da revista do meu primo, o shmup esquisito e super hypeado na época, chamado Lords of Thunder (logo depois joguei Dracula X, que também é fantástico, mas a prioridade sempre é os shmups, claro).


O pessoal pegando carona nas costas de uma tartaruga gigante.


Hm... apenas uma correção. Comecei jogando no Sega CD!


Como eu já estava passando mal por causa de Lords of Thunder, saí caçando toda informação sobre o jogo e descobri que existe uma versão para Sega CD, que é até bem legal. Digamos que ela seja 90% da versão do PC Engine, com um nível de dificuldade mais amigável, inimigos mais bobões, cores mais xoxas e som bem mais claro. A versão de PCE é mais bonita, mais difícil mas o som ficou meio abafado. Além do que, eu sempre tive certas ressalvas quanto ao control pad do PCE, que é uma versão quase arredondada, que tenta ser quase ergonômica do joypad do NES, só que com um fiozinho mixuruca de uns 20cm. Ok, 20cm é exagero. Tem uns 25cm. Sério, o fio é ridículo de curto! E convenhamos que o joypad do Mega Drive era bem confortável. Mas, enfim, quem disse que o assunto é ergonomia? Vamos ao jogo.


Lords of Thunder tem características que fazem forte analogia à jogos da toda-poderosa Capcom como Megaman e Strider. Isso é fato. As décadas de 80 e 90 foram o grande celeiro de títulos de várias softhouses e a Capcom foi uma delas, e este jogo bebeu muito desta fonte. Criado de uma parceria entre a Hudson, do Bomberman (que também é criadora do PC Engine) e a Red Entertainment (que fez mais algumas coisas aqui e alí, mas nada digno de citação), o jogo é um side-scrolling que conta com quatro tipos de "armaduras" para o personagem e um ataque de proximidade (que lembra muito o ataque do Strider). Quando você chega perto de um inimigo, o personagem não atira, ele simplesmente saca a espada e o ataca, causando mais dano.


Assim como o já citado Megaman, é possível escolher a ordem dos estágios e a "arma" que se vai usar, ou seja, a chave para apanhar menos no jogo é escolher a armadura certa para cada fase. São elas:


Vale até jogar o dragão do Gradius II no inimigo.


Fogo: Tiro potente à frente, me parece mais útil no nível intermediário que em força total. A bomba é um dragão que persegue os inimigos na tela.


Terra: Pior tiro do jogo, sai forte em diagonal, ideal para áreas com muitos inimigos no chão e no teto. A bomba provoca explosões pela tela toda.


Água: Tiros em linha reta, em ângulo e para trás. A bomba cria um círculo em torno do personagem.


Vento: Tiros perfurantes em linha reta (relâmpagos). A bomba cria uma coluna de raios em cima do personagem.


As quatro armaduras, em um scroll quase bom para a época. Só quase.


Uma outra referência que comprova o quanto a parceria Hudson / Red estava de olho nos acertos da Capcom é a presença da loja, que surgiu em Black Tiger, que foi um dos grandes sucessos de arcade da época (e que, na minha opinião, é um dos melhores jogos já feitos até hoje). Se eu quisesse estrapolar, poderia dizer que muitos sprites lembram o grafismo de Ghouls'N'Ghosts e Magic Sword, mas aí já seria praticamente um post para falar dos jogos da Capcom. :)


Em quantas "humble shops" você já entrou enquanto jogava videogame?


O jogo segue o ritmo normal dos shmups horizontais, cheio de armadilhas, cenários que interagem, chefões enormes e heavy metal do começo ao fim. Além das muitas (e muitas!) influências de outros games, Lords of Thunder consegue ser original na medida certa, divertir, gerar um grau respeitável de desafio e, acima de tudo, mostrar que é possível inovar mesmo quando os gêneros FMV e fighting game já estouravam no mercado e roubavam a atenção da grande massa. Não seria essa uma lição à se seguir? Será que não existem mais fãs de shmups hoje em dia também? O próprio mercado deu a resposta e eis que sai Lords of Thunder (fora tantos outros shooters) nas lojas de downloads dos consoles atuais. Eu só espero, mesmo, que um dia acabem os jogos à ser relançados e que comecem a ser lançados shmups novos...


Score de Lords of Thunder:


Gráficos: 9.5


O jogo é o que eu considero o "limite técnico" do Mega Drive e do PCE para um shmup. Sprites grandes, coloridos, animados, com cenários bonitos e efeitos bons. Existe alguma coisa feia aqui e alí, claro, mas o jogo compensa em outros pontos. Não vou tirar nota dele por conta disso.


Todo mundo ama chefões enormes! Esse, por sinal, é fácil.


Som: 10


Se essa trilha sonora não tira 10, eu não sei qual tira. Sem comentários, apenas ouça.


Desafio: 8.5


A versão de Mega Drive é sensivelmente mais fácil, não sei se por causa do controle ou se foi "calibara" para um público menos hardcore que os viciados em shmup que possuem PC Engine. Destaque para a fase do gelo e do fogo e para as muitas armadilhas que aparecem do nada o tempo todo. Os chefões variam um pouco, alguns são mais fáceis, outros mais difíceis. O último é beeeem chato, como se podia esperar.


Diversão: 10


Este jogo foi jogado por mim durante anos e anos e continua novo. O replayability value dele é alto. Ele é viciante e deveria estar em qualquer coleção. Sim, ele é um must-have, sem dúvida alguma. Ainda tem um discreto background, que é narrado (sim, maravilhas do tempo do CD-ROM!) com direito a filminho manga-like e tudo mais.


Overall: 10


Nem fiz a conta da média. O jogo é nota 10 mesmo. Jogue sem medo de ser feliz.


Pontos Interessantes:


- O nome da versão japonesa é Winds of Thunder. Convenhamos, Lords of Thunder é muito mais legal.


- Durante o jogo, o personagem coleta cristais. Cristais vermelhos enchem a barra de vitalidade e cristais azuis são "dinheiro". Assim como em Black Tiger, é possível comprar armadura à mais, armas novas e bombas extra.


- O personagem "anda" se encostar no chão. Sim, é inútil, mas ficou bacana.


- A espada da armadura da terra parece significativamente mais forte que as demais.


- Teoricamente, o jogo é a continuação espiritual de Gate of Thunder. Os dois jogos não tem muito em comum, à não ser que são ambos ótimos!

29 de ago. de 2008

1942 Joint Strike (Capcom/Backbone) - XBLA e PSN

Este vai ser um review longo! Praticamente um mini-documentário! Afinal, vou falar da sequência super aguardada de um dos meus jogos favoritos!

Quem não quiser ler a parte histórica do artigo e ir direto pro review, é só pular o texto em itálico.

Pra começar, um pouquinho de história:

Antes de Street Fighter e Resident Evil, de volta ao ano de 1984, a Capcom já despontava como uma das maiores empresas do ramo de videogames, tendo vários títulos lançados simultaneamente para Arcade e NES. Muito antes de Day of Defeat, Medal of Honor e Battlefield, os jogos baseados na Segunda Guerra mundial também já existiam. E a fusão inevitável entre a empresa e o tema, em pleno "boom" da segunda geração dos videogames, foi um shmup chamado 1942.

Aliás, diga-se de passagem, não vou tecer nenhum "comentário fanboy" aqui: Um joguinho danado de ruim! Gráficos medianos (já tinha coisa muito melhor), controles ruins, lerdo, repetitivo, tedioso, muito difícil, praticamente sem power-ups, sem trilha-sonora... mas que eu joguei muito!

Para salvação da humanidade vieram 1943: The Battle of Midway e 1943 Kai, sucessores diretos, em 1987 e 1988. Em 1943 colocaram música de fundo (ufa!) e implementaram uma barra de vida, assim como o famoso laser, que era uma arma temporária (no 1943 Kai não, além de se jogar com um biplano, era uma arma regular mesmo). O jogo ficou divertidíssimo e aí sim, ganhou a atenção do grande público.

Foi só com 1941: Counter Attack (que saiu em fevereiro de 1990), que o avião "Mosquito" apareceu, no modo 2 players. Este só saiu pra Arcade e PC Engine (e, posteriormente, em coletâneas pra Xbox, PS2 e PSP). Um jogo mais rápido, ágil, mas com o mesmo "feeling" do resto da série.

Mas foi em 1996 que surgiu 19XX: War Against Destiny, o próximo episódio da série e o mais parecido com 1942: Joint Strike. A Capcom decidiu abandonar a timeline "real" da série (por isso o XX) e adotar uma linha de tempo alternativa, onde uma certa guerra ocorre em um certo lugar, com elementos conhecidos da série, mas já sem nenhum compromisso com a realidade. É a 2a Guerra Mundial, mas não é a nossa, nem o mundo é o nosso. Os três aviões já estavam presentes (Mosquito, Shinden e Lightning), cada um com sua arma especial, os mísseis teleguiados e imenso e incompreensivelmente bizarro arsenal inimigo.

Houve ainda mais um episídio: 1944: The Loop Master, este cheio de peculiariedades. Foi o único a não ser produzido pela Capcom (quem fez foi a 8ing/Raizing e a Capcom só publicou), de volta sem seleção de aviões (Lightning para o 1P e Zero para o 2P), menos armas especiais e mais options, uma produção soberba de gráficos e música e nenhuma versão para consoles domésticos! É praticamente um pedido: -"Emule este jogo".

Há também a série Strikers 1945, que sem dúvida alguma pegou carona nos títulos da Capcom entre 1995 (aproveitando a falta de jogos do tipo) e 2003. É uma série muito inspirada em 194X, porém, com uma jogabilidade diferente e lançada pela Psikyo, que de burra não tem nada. Foi só a Capcom "esquecer" dos 194X que eles entraram de sola. Mas não, não são a mesma série. Veja mais sobre todos os jogos aqui.

Mas, enfim, sobre o novo jogo 1942 Joint Strike:

A grande verdade é que ele tem muito pouco ou nada à ver com o 1942 original. Não, você não vai mais passar horas voando sob um mar azul, matando aviõezinhos verdes e ouvindo um apito irritante de fundo. O jogo só aproveitou a força do nome do antigo jogo e fez uma versão totalmente revitalizada, com jogabilidade muito mais parecida com a do 19XX (três aviões, mísseis, super-tuchão que carrega e inimigos enormes e exagerados). Assim como 19XX, o jogo não conta com fidelidade histórica nenhuma: Existem aviões monstruosos, tanques gigantescos, navios transformáveis, instalações militares inconcebíveis e, claro, um monte de tecnologia que nunca saiu do papel. Os produtores deixam bem claro que trata-se do ano de "1942" de algum lugar, mas não da Terra.

Todas as armas tem tês, níveis. Achei que iam manter o esquema de armas do 19XX, onde todas as armas (machinegun, spread gun e laser) tinham um quarto nível, dependendo do avião selecionado, que era muito bom, mas infelizmente foi removido. Os aviões também são especializados para determinados tipos de jogadores. O Lightning (avião original da série) é o balanceado, o Mosquito é o com mais poder-de-fogo e menos agilidade e o Shinden (feio de doer, parece um avião que voa ao contrário) é o ágil mas sem poder-de-fogo. Consegui jogar sem muito trabalho com o Lightning, o Mosquito é, sem dúvida o melhor, mas o Shinden é inútil. Dica: Use o Mosquito. Afinal, você quer seus inimigos mortos, não quer? Deixe os outros para um dia de tédio, especialmente o Shinden, que talvez só os fãs hardcores usem.

Além das armas convencionais, existe o tradicional super-tuchão (carregando o botão de tiro), que aqui poderia ser chamado de mini-tuchão, pois não é lá grandes coisas. As bombas são mais abundantes que nos demais jogos da série e os mísseis roubam a cena. Quem dominar o uso dos mísseis, domina o jogo. Isso é fato. Ganha-se mais mísseis derrubando inimigos e uma ou duas saraivadas costumam derrubar qualquer miniboss do jogo. O duro é que os misseis são meio "vesgos" e às vezes vão para lado algum, atingindo o nada. O sistema de mira automática deles é tão preciso quanto o de "autopilot" da série Wipeout, ou seja, não conte muito com ele. Existem ainda os "Joint Strikes", que são ataques especiais que só são executados no modo 2 players. São bem legais, mas mais atrapalham que ajudam às vezes.

O jogo não conta com muitas inovações fora isso. Afinal, quem se importa? A idéia era fazer um shmup com scroll vertical bem no estilo oldschool, e isso fizeram bem direitinho. Aliás, a Capcom está mostrando muito bem que se preocupa com as franquias antigas, pois o trabalho feito com Commando 3, Bionic Comando Rearmed e 1942 Joint Strike foi fenomenal.

Mas enfim, vamos aos números:

Gráficos: 8.5

O jogo mostra gráficos excelentes, efeitos de fragmentação de matéria, fumaça, água, luz, tudo. Porém, isso tudo causa um certo estranhamento, assim como Raiden 3 causou ao utilizar tecnologia 3D em um shmup. Ficou bem bonito, mas ao mesmo tempo, dá um certo ar de esquisito. É limpo demais, os tons de sépia e a programação visual segue toda a temática da época, porém, parece que ficou faltando alguma coisa. Quem sabe umas explosões exageradas, armas ainda maiores ou uns cenários mais exóticos? Mas, merecidamente, 1942 Joint Strike leva um 8.5. Não é um Ikaruga, mas tá bem bonito.

Som: 8.5

Assim como a produção gráfica, o som do jogo é todo temático. Não tem baladinha de rock'n'roll, nem de metal, nem eletrônica de fundo... tocam de fundo arranjos de marchinhas militares! Ficou muito bom! O problema é que algumas dessas marchinhas são meio repetitivas e outras meio lentinhas, que não acompanham o ritmo alucinado do jogo. Não que o jogo seja muito rápido (não é um Gigawing ou um Mars Matrix), mas algumas músicas parecem demais com aquelas midis de Soundblaster 16 do começo da década de 90. Ficou bom, mas podiam ser melhor arranjdas.

Desafio: 7.5

Existem jogos mais difíceis que 1942 Joint Strike, porém, ele não é lá muito amistoso. Com apenas cinco fases (e um bonus stage maluco no fim da primeira, onde o sentido da tela é invertido), é relativamente fácil decorar onde ficam os inimigos e de onde vem as waves de aviões. Fica uma impressão de que as suas armas são sempre fracas demais ou que a sua arma, que já está em nível máximo, ainda pode ficar mais forte (e não fica). Isso faz com que os inimigos um pouquinho maiores que os normais precisem de muitos tiros para morrer e, se você não estiver usando o laser, isso dá uma dor razoável na mão. Nos chefes, então, nem se fala...

Diversão: 9.0

O jogo é divertido. Jogar no modo 2 players é o melhor, ainda que o solo mission seja perfeito para quem já joga shmups há algum tempo. Você vai ficar assoviando a música de fundo, vai querer acabar com os três aviões (até com a porcaria do Shinden, que não mata nem mosca) e vai querer aumentar a dificuldade, chamar um amigo, e jogar online em modo cooperativo. Há um replayability factor natural em jogos curtos com fases longas e 1942 Joint Strike acrescenta ainda o modo 2 players, ou seja, é uma excelente aquisição até para quem não é fã de shmups (pois ele não é dos mais difíceis).

Overall: 8.5

Veredito final: Baixe! Baixe agora! Baixe agora e evite o Shinden!