A grande verdade é que ele tem muito pouco ou nada à ver com o
1942 original. Não, você não vai mais passar horas voando sob um mar azul, matando aviõezinhos verdes e ouvindo um apito irritante de fundo. O jogo só aproveitou a força do nome do antigo jogo e fez uma versão totalmente revitalizada, com jogabilidade muito mais parecida com a do
19XX (três aviões, mísseis, super-tuchão que carrega e inimigos enormes e exagerados). Assim como
19XX, o jogo não conta com fidelidade histórica nenhuma: Existem aviões monstruosos, tanques gigantescos, navios transformáveis, instalações militares inconcebíveis e, claro, um monte de tecnologia que nunca saiu do papel. Os produtores deixam bem claro que trata-se do ano de "1942" de algum lugar, mas não da Terra.

Todas as armas tem tês, níveis. Achei que iam manter o esquema de armas do
19XX, onde todas as armas (machinegun, spread gun e laser) tinham um quarto nível, dependendo do avião selecionado, que era muito bom, mas infelizmente foi removido. Os aviões também são especializados para determinados tipos de jogadores. O
Lightning (avião original da série) é o balanceado, o
Mosquito é o com mais poder-de-fogo e menos agilidade e o
Shinden (feio de doer, parece um avião que voa ao contrário) é o ágil mas sem poder-de-fogo. Consegui jogar sem muito trabalho com o
Lightning, o
Mosquito é, sem dúvida o melhor, mas o
Shinden é inútil. Dica: Use o
Mosquito. Afinal, você quer seus inimigos mortos, não quer? Deixe os outros para um dia de tédio, especialmente o
Shinden, que talvez só os fãs hardcores usem.
Além das armas convencionais, existe o tradicional
super-tuchão (carregando o botão de tiro), que aqui poderia ser chamado de
mini-tuchão, pois não é lá grandes coisas. As bombas são mais abundantes que nos demais jogos da série e os mísseis roubam a cena. Quem dominar o uso dos mísseis, domina o jogo. Isso é fato. Ganha-se mais mísseis derrubando inimigos e uma ou duas saraivadas costumam derrubar qualquer miniboss do jogo. O duro é que os misseis são meio "vesgos" e às vezes vão para lado algum, atingindo o nada. O sistema de mira automática deles é tão preciso quanto o de "autopilot" da série
Wipeout, ou seja, não conte muito com ele. Existem ainda os "Joint Strikes", que são ataques especiais que só são executados no modo 2 players. São bem legais, mas mais atrapalham que ajudam às vezes.
O jogo não conta com muitas inovações fora isso. Afinal, quem se importa? A idéia era fazer um shmup com scroll vertical bem no estilo oldschool, e isso fizeram bem direitinho. Aliás, a Capcom está mostrando muito bem que se preocupa com as franquias antigas, pois o trabalho feito com
Commando 3, Bionic Comando Rearmed e 1942 Joint Strike foi fenomenal.
Mas enfim, vamos aos números:
Gráficos: 8.5O jogo mostra gráficos excelentes, efeitos de fragmentação de matéria, fumaça, água, luz, tudo. Porém, isso tudo causa um certo estranhamento, assim como Raiden 3 causou ao utilizar tecnologia 3D em um shmup. Ficou bem bonito, mas ao mesmo tempo, dá um certo ar de esquisito. É limpo demais, os tons de sépia e a programação visual segue toda a temática da época, porém, parece que ficou faltando alguma coisa. Quem sabe umas explosões exageradas, armas ainda maiores ou uns cenários mais exóticos? Mas, merecidamente,
1942 Joint Strike leva um 8.5. Não é um
Ikaruga, mas tá bem bonito.
Som: 8.5Assim como a produção gráfica, o som do jogo é todo temático. Não tem baladinha de rock'n'roll, nem de metal, nem eletrônica de fundo... tocam de fundo arranjos de marchinhas militares! Ficou muito bom! O problema é que algumas dessas marchinhas são meio repetitivas e outras meio lentinhas, que não acompanham o ritmo alucinado do jogo. Não que o jogo seja muito rápido (não é um
Gigawing ou um
Mars Matrix), mas algumas músicas parecem demais com aquelas midis de
Soundblaster 16 do começo da década de 90. Ficou bom, mas podiam ser melhor arranjdas.
Desafio: 7.5Existem jogos mais difíceis que
1942 Joint Strike, porém, ele não é lá muito amistoso. Com apenas cinco fases (e um bonus stage maluco no fim da primeira, onde o sentido da tela é invertido), é relativamente fácil decorar onde ficam os inimigos e de onde vem as waves de aviões. Fica uma impressão de que as suas armas são sempre fracas demais ou que a sua arma, que já está em nível máximo, ainda pode ficar mais forte (e não fica). Isso faz com que os inimigos um pouquinho maiores que os normais precisem de muitos tiros para morrer e, se você não estiver usando o laser, isso dá uma dor razoável na mão. Nos chefes, então, nem se fala...
Diversão: 9.0O jogo é divertido. Jogar no modo
2 players é o melhor, ainda que o solo mission seja perfeito para quem já joga shmups há algum tempo. Você vai ficar assoviando a música de fundo, vai querer acabar com os três aviões (até com a porcaria do Shinden, que não mata nem mosca) e vai querer aumentar a dificuldade, chamar um amigo, e jogar online em modo cooperativo. Há um replayability factor natural em jogos curtos com fases longas e
1942 Joint Strike acrescenta ainda o modo
2 players, ou seja, é uma excelente aquisição até para quem não é fã de shmups (pois ele não é dos mais difíceis).
Overall: 8.5Veredito final: Baixe! Baixe agora!
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