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19 de fev. de 2018

Dariusburst: Chronicles Saviours [Review]

Plataformas / Formato:
- Digital (Steam, PS4, PS Vita)
- Físico (PS4 e PS Vita - Mercado Asiático apenas)
Desenvolvedores: Pyramid, G.Rev, Chara-Ani.
Publicado por: Taito
Lançamento: Novembro 2015


Um dos principais nomes dos shmups clássicos dos anos 80, Darius sempre foi um jogo amado pelos fãs. Mesmo com elementos variáveis nas diversas versões, o jogo sempre contou com jogabilidade coesa, alto nível de desafio, longa escala de progressão de armas e, acima de tudo, um inegável espírito de inovação em seu DNA.

Parecia que, à cada início de projeto, os designers sempre se perguntavam "o que podemos inovar desta vez?", e sempre acertaram. Darius foi um arcade que usou várias telas para simular um campo de visão maior, ainda nos arcades, diferente de Gradius e R-Type, que são jogos mais conhecidos, porém só utilizam telas convencionais. Tal idéia se repetiu em algumas encarnações do jogo, mas o jogador precisava ir até um arcade para poder usufruir de tal recurso, ao menos até Dariusburst:CS, em que é possível utilizar múltiplos monitores para simular o gigantesco playfield do fliperama.

Trambolhisticamente gigante, mas lindo de jogar.

O jogo em si é tudo o que se espera de um Darius moderno, sendo uma continuação direta do Dariusburst de PSP, já citado aqui. O mesmo estilo foi seguido, o mesmo sistema de armas, só que agora tudo é infinitamente maior em termos de conteúdo. Darius nunca foi um jogo linear, sendo possível escolher o caminho à se tomar ao fim de cada fase, e agora a Taito levou à sério a idéia de viajar para todo lado. A quantidade de planetas que precisam ser visitados até o final do jogo é imensa, as fases são diferentes entre si (algumas são convencionais, outras são um score-attack, outras são uma boss battle, outras são combinações de vários elementos do jogo), o que torna o jogo muito mais dinâmico e menos repetitivo que as tradicionais missões de "voar do canto esquerdo até o canto direito da fase e matar um boss".

Pensa num mapa gigantesco de grande...

Dá para dizer que Dariusburst:CS é quase um jogo de "mundo aberto", de tantas missões diferentes, modos de jogo e surpresas que aguardam o jogador. Sério, dá para jogar por meses e não ver tudo, e eu não vou estragar a surpresa de quem ainda não começou. :)

Mas inovações não param por aí: A coisa mais certa que se pode dizer de Dariusburst: CS é que trata-se de um jogo que os fãs estavam esperando - E não apenas os fãs da série! Há DLCs para adicionar naves / personagens de outros shmups que nem da Taito são! Oficialmente dá para se jogar com:

- Diversas versões das Silver Hawks (naves da própria série Darius).
- Naves de outros shmups da Taito, como Metal Black, Night Striker e RayForce.
- Naves da Cave: Dodonpachi, Ketsui e Deathsmiles.
- Naves da Sega: Opa-Opa, Galaxy Force e Space Harrier.
- Naves da Eighting / Raizing: Battle Garegga, Terra Diver e Mahou Daisakusen.
- Naves da Capcom: Side Arms, Varth e Progear.

Pack de DLC da Sega, um dos que estão à disposição no Dariusburst:CS.

Cada uma das naves tem um sistema de armas e power-ups diferentes, respeitando os jogos originais, ou seja, é totalmente diferente jogar com uma das Silver Hawks e depois trocar para a nave do Dodonpachi ou do Space Harrier, porque elas se comportam como nos jogos de onde saíram! Não é meramente uma skin, todo o comportamento da nave foi recriado dentro da engine de Dariusburst:CS, aumentando bastante a longevidade do jogo. Os DLCs são vendidos separadamente, individualmente e em pacotes.

Há, no entanto, apesar de Dariusburst:CS ser talvez o shmup mais inovador dos últimos anos, algumas reclamações comuns de jogadores logo que o compram:

1) Mas o jogo é muito difícil!

R: Não só difícil, mas longo e cheio de caminhos diferentes. Dariusburst:CS não foi feito para ser terminado em uma "sentada", do começo ao fim, com algumas vidas apenas. A dificuldade é acentuada, as fases são longas, e requerem memorização dos padrões dos inimigos e a escolha da arma certa no momento certo. Não tem truque! É um jogo feito para ser revisitado várias e várias vezes, pois há, sim, muito conteúdo dentro, e muita coisa para ser descoberta.

Cada boss tem suas características e vem em mais de uma versão, ou seja, sempre tem surpresa!

2) Mas o jogo é muito caro!

R: Sim, Dariusburst:CS custa US$ 50 desde que foi lançado e o preço não caiu. Ele entra em promoção na PSN e na Steam, mas nunca por muito tempo. Se for considerar que ainda tem os DLCs (Opcionais, mas afinal, quem não quer jogar com o Opa-Opa?), o preço fica bem maior. No entanto, ele não é mais caro nem mais barato que qualquer outro jogo AAA, feito Witcher, Grand Theft Auto, Call of Duty ou Battlefield. Jogos AAA, no lançamento, custam 50 USD, fato.

Warning: A huge battleship PRICE TAG is approaching fast!

O que aconteceu foi que, por ser um shmup (excelente, diga-se de passagem!), o preço não caiu, porque é assim o mercado dos shmups. A versão física do Battle Garegga para PS4 também custa uma fortuna, e é provavelmente uma ROM de alguns kilobytes apenas, com um emulador dedicado e uma interface nova. Agora, se você é fã de shmups e não paga 50 USD por um jogo tecnologicamente excelente, cheio de conteúdo e com um fator replayability enorme feito Dariusburst:CS, sinto muito, mas é melhor ir jogar outra coisa! O jogo foi feito para os fãs, coisa raríssima hoje em dia, e eu tenho certeza que muitos que reclamam do preço pagam 50 USD em um Fifa ou um Battlefield novo, rasos, bobos e cheio de microtransações.

3) Eu não consegui rodar Dariusburst:CS nas minhas três telas (ou algum outro problema técnico)!

R: Existem algumas hipóteses que podemos explorar antes de chegarmos a uma conclusão.

a) Caso seu setup de monitores seja composto por um Commodore 1084S, um Sony PVM de 4", um LCD da Itautec dos anos 90 que abre 640 x 480 e uma TV Telefunken branca e preta, com lateral de madeira, cheia de cupim, que você catou do lixão municipal, sinto em te informar, mas pode ser que não funcione. Só suspeito.

b) Caso seu computador seja um Athlon XP daqueles que são usados para assar leitoa em churrascaria, ou se é algo modernoso e atual feito um K6-450, rodando Windows XP ou Windows 98 (com suporte USB), também é difícil afirmar se vai funcionar mesmo ou não. Eu apostaria que não. Vai precisar de algo um tiquinho melhor. Vai dar pau no save, para rodar o jogo, para jogar o jogo, em tudo.

Passei duas horas configurando e não consegui jogar, logo, ele é bobo, feio e chato!

c) Se você for meio limitadinho em termos técnicos. Tem gente com sérios problemas de cognição e que não conseguem associar um número (resolução da tela) a outro (ordem dos monitores), e aí pode ser que problemas aconteçam. Se for o seu caso, também não há solução. Lembra do "polegar opositor" do filme "Ilha das Flores"? Então...

d) Agora, caso você esteja usando hardware decente para rodar o jogo, digamos, monitores e desktop que tenham menos que uns 10 anos de idade, uma placa de vídeo razoável, e tenha polegares opositores, dá para configurar tudo e jogar com um pé nas costas. Infelizmente a Taito, que faz o jogo, não pode se responsabilizar por você ter hardware lixo, monitores lixos e por ser um elo perdido entre os humanos e os neandertais. A prova de que funciona são os inúmeros vídeos na internet, tipo este aqui logo abaixo:

(E não é um vídeo só, tem inúmeros. Google for it.)

Veredito: Dariusburst:CS é uma compra excelente, da qual eu não me arrependo e recomendo à todos (que não se incluam nos itens "a, b ou c" acima). Não é o shmup mais fácil do mundo, mas é algo que dificilmente vai se esgotar rapidamente, pois são inúmeras fases, caminhos, planetas, etc. Se você der 10 minutos de atenção ao jogo por dia, nunca vai tirar tudo dele. Ele requer, sim, algum empenho, pois há estágios bem difíceis, bosses bem complicados e um longo caminho até um dos (spoiler - um dos modos tem 186 fases!) finais possíveis. É um jogo diferente do que se viu até hoje em termos de shmups, os desenvolvedores estão tentando renovar o gênero com idéias de outros títulos AAA da atualidade, como DLCs, mundo aberto, etc, e o resultado é algo único, muito bem-acabado e que visualmente não faz feio.

PS: Se você se sentiu ofendido com algo que leu aqui, saiba que você, para mim, é problema seu!

3 de ago. de 2015

Vem aí: Darius Burst: Chronicle Saviours (PS4/PSVita/PC)

Uma das franquias mais tradicionais de shmups, Darius, ganha mais uma encarnação nas plataformas PS4, PS Vita e PC. Trata-se de Darius Burst: Chronicle Saviours, que está em desenvolvimento e deve ser lançado até o fim do ano.

 

A última versão que eu cheguei a jogar foi Darius Burst para PSP, cuja resenha está aqui. Espero que esta seja tão boa quanto. A versão de PS4 dará suporte a 4 jogadores, o que deve ser bem divertido!

12 de jun. de 2012

Preview: Raystorm (iPad)

Depois de Rayforce, Raystorm para iPad! O jogo já é bem mais complexo que o Rayforce, usa gráficos 3D o tempo todo e é mais rápido também. Pelo visto o iPad vai, de fato, transformando-se lentamente em um PSX. A versão do vídeo ainda é o demo, mas parece rodar muito bem. Anunciado na E3, deve ser lançado oficialmente em breve.


Obrigado, Taito, por não nos deixar na mão.

18 de jul. de 2010

Darius Burst (PSP)

Darius, assim como boa parte das franquias de shmups antigas, tem jogos bons e jogos ruins. Boa parte deles, eu diria, são medianos. Tenho sérias críticas aos Darius mais antigos (período anterior à década de 90). Acho-os muito difíceis, pouco divertidos e com uma trilha sonora quase sempre medonha (coisa feia mesmo, desafinada, irritante, estridente).

Nota-se que tal opinião não era só minha, visto que na década de 90 saíram alguns Darius bem diferentes, principalmente para o PSX. G-Darius é muito bom, em contrapartida com Darius Gaiden, que é uma releitura reformulada dos clássicos. As coisas estariam mudando no universo dos peixes espaciais?

Definitivamente! Finalmente pus minhas mãos em Darius Burst e posso afirmar que o resultado ficou muito bom. O jogo é dinâmico, tem um bom grau de dificuldade e é muito bem-feito. Felizmente, arrumaram as músicas (que eram terríveis em outras versões), fato que eu nunca entendi o porquê, visto que o jogo conta com excelente equipe de produção. Deviam achar o jogo fácil demais e colocavam uma melodia horrível de fundo para atrapalhar a concentração do jogador, só pode ser isso! Enfim, corigiram até este problema!

Jogabilidade: 9

O jogo conta com um inédito super-tuchão (o tal do burst) que usa uma barra na parte inferior da tela. O burst faz um belo estrago e é recarregado conforme inimigos vão sendo mortos. Simples assim. O sistema de armas é o mesmo clássico de sempre, com power-ups para o tiro principal, míssies e escudo. O controle analógico do PSP responde muito bem, já o digital (meu favorito) não responde como deveria. Em alguns pontos do jogo eu tive problemas por falta de precisão de resposta, mas nada que vá incomodar muito.

Gráficos: 9

Darius Burst é visualmente lindo, porém, foi desenhado para a tela do PSP. As fotos que são encontradas na internet ou os vídeos não mostram o quão bonito o jogo é de fato. Fiquei surpreso quando vi a diferença de imagem no PSP! É muito bonito sim. Alguns inimigos são muito simples (feitos de poucos polígonos, parecendo um jogo de PSX) e alguns efeitos de luz são primários, mas os estágios em si e os peixões ao fim de cada nível são extremamente bem-feitos. Não é trabalho de estagiário, é coisa digna da Taito mesmo.



Som: 8,5

Deram um jeito de sumir com as músicas horríveis dos outros Darius. Bem, quase todas: A música da área B (infelizmente obrigatória!) é daquelas tradicionalmente horríveis. Pelo menos agora o repertório é bem-arranjado e não tem mais 90% das trilhas horrendas e propositalmente irritantes dos antecessores. É sério, eu não sei o que leva os produtores a colocar versões remix de música enka no jogo! Se a idéia era criar um toque de bizarro, eles exageravam na dose. Neste jogo, para nossa sorte, é apenas uma música. As demais são boas! (Destaque para a excelente versão breakbeat do tema, que toca do vídeo acima, a qual eu não achei para download em lugar nenhum ainda).

Desafio: 8

O jogo é relativamente fácil no modo Arcade, porém, a dificuldade aumenta nos outros modos (principalmente no Burst!). Diria que ela está bem dosada, tendendo ao fácil. Como todos os outros Darius, trata-se de um shmup metódico, com estratégias simples e mais ou menos repetitivas, ou seja, acaba dependendo mais da coordenação motora que do cérebro.

Diversão: 8

É incontestável: Darius Burst vai te proporcionar diversão. Não posso dizer que se trata de um dos melhores jogos da categoria, porém, sem dúvida, é o melhor shmup para PSP que saiu até hoje (junto com Star Soldier).

A mais famosa máquina de fazer sashimi da galáxia, agora com novos recursos.

Nota final: 8,5 -> Não há dúvidas de que você deve jogá-lo!

Extras:

- Pode-se destravar 3 naves para jogar (a Next é bem melhor que a original).
- Um bom fator de replayability (vários e vários caminhos).
- Darius é uma das franquias mais antigas de shmups, ou seja, nunca é demais comemorar a sobrevivência de um jogo por tanto tempo.
- Gráficos limpos, que usam bem a tela em widescreen.
- A progressão de armas finalmente faz alguma diferença (se você jogou os outros, sabe do que eu estou falando).

14 de jan. de 2010

Space Invaders Infinity Gene - iPhone, iPod Touch (Taito 2009)

Primeiro review de 2010, já em novo formato: Vou falar do clássico dos clássicos - Space Invaders - em sua última versão, para iPhone e iTouch. Antes de você desistir e falar "ah, não, outro jogo da série Space Invaders" e abrir mais uma tab do browser com seu bookmark de pornografia favorito, espere! Infinity Gene não é apenas mais um Space Invaders. Aliás, tirando o nome e a programação visual e sonora, o jogo não remete muito ao antigo. O jogo é um shmup que, na estrutura básica, me lembrou Aleste 2 de MSX com um toque de Raystorm e cheio, lotado de influência de Rez.

Gráficos: Imagine um Zanac com uma skin que mistura o Space Invaders original e Rez. É isso! Nada de impressionante, mas de um minimalismo bem dimensionado e que agrada muito. Podiam ter trabalhado um pouquinho mais nesse ponto. Nota 8,5.


Morram vocês todos!

Som: Música eletrônica misuturada aos efeitos originais do jogo. Músicas muito boas, que lembram bastante Rez. A graça, no entanto, não é jogar com as músicas do jogo, mas isso vai ser dito mais adiante. Para as músicas do jogo, a nota é 10.


Qualquer semelhança com um Tie Fighter é mera coincidência.

Diversão: Zanac? Space Invaders? Rez? Aleste? Tudo isso junto? Preciso falar mais? Principalmente pelo fato de poder jogar com o Music Mode, que é a grande idéia do jogo. Space Invaders era um jogo repetitivo? Não mais! Agora você coloca suas próprias músicas no jogo. Um algorítmo vai "ouvir" a música e criar uma fase com base nos elementos presentes nela. Ou seja, além de jogar um jogo com a sua playlist, cada música vira uma fase totalmente diferente. Nota 10 com certeza, pela criatividade e brilhantismo do pessoal da Taito.

Desafio: Vamos falar do jogo no modo "normal", ou seja, jogando apenas as fases prontas. É longo para um shmup e vai "evoluindo" conforme elas vão passando. A sua nave vai ganhando poderes novos e os inimigos também. Você parte do Space Invaders original, com tela preta e branca. As cores, os inimigos e os padrões de ataque e balas vão aumentando conforme vão passando as fases, não devendo nada para um jogo bullet hell moderno. Ah sim, fora os milhões de unlockables... Nota 9,0.

Controles: O jogo é o único shmup com um controle decente para iPhone, e um dos poucos jogos da plataforma que não te dão vontade de jogar o aparelho longe depois de uma hora de jogatina por causa de uma interface ruim! Diferente de Siberian Strike, você não fica dando "dedadas" na sua própria nave. A distância relativa entre o ponto em que você põe o dedo e a nave é respeitada, permitindo assim que você a controle de qualquer lugar da tela, sem perder visibilidade da ação. Sensacional! Nota 9,5, pois dá um pouquinho de atraso às vezes, o que acaba te matando.




Jogabilidade: Space Invaders Infinity Gene é um shmup moderno com tudo que tem direito. Bosses, minibosses, waves, padrões de tiros para esquivar-se, fases abertas, bases no chão, fases fechadas, etc, etc. Dois pontos fortes são as armas: Uma porção delas, com power ups para subir de nível (destaque para o Lock On, igual ao de Raystorm), e o "Nagoya Attack", que é um jeito de ganhar pontos passando por dentro dos tiros dos inimigos logo que saem dos canhões. Explicando: Os inimigos atiram e logo nos primeiros pixels, quando estão se distanciando da nave, os tiros são quase transparentes e vão ficando mais "visíveis" ao longo do percurso. Enquanto estão transparentes, é possível passar por dentro deles sem morrer e ganhar uma tonelada de pontos por isso (que são contabilizados por um contador de combo). Parece bobo, mas é difícil de fazer e torna-se bem divertido em certas fases. Nota 9.0

Nota final: 9,5. -> Se você tem um iPod Touch ou um iPhone, é um must-have. Pode comprar sem medo algum, que vale cada centavo.

2 de set. de 2009

Darius Burst (PSP) - Taito... DE NOVO! :)

Este screenshot é do Darius Burst, que vai sair para PSP em outubro. Não sou grandes fãs de Darius, mas sem dúvida é uma ótima notícia! Ah, Taito, o que seria de nós sem você...

Quem quiser ver mais, segue a notícia na íntegra aqui.

1 de set. de 2009

Raystorm HD (PSN e XBLA)

Eu já falei que amo a Taito?


O que eu posso dizer de Raystorm em HD para PSN e XBLA?
Sensacional é pouco!

28 de jul. de 2009

Space Invaders Infinity Gene (iPhone / iTouch)

A Taito sem dúvida descobriu como ganhar dinheiro com um de seus jogos mais velhos. E que nunca fica velho, diga-se de passagem. Space Invaders Infinity Gene é impressionante. Não sei até que ponto é verdade o que dizem no comercial, porém foi anunciado gameplay infinito, você monta suas próprias fases, ouve a sua música enquanto joga e customiza bastante o jogo. O curioso é que ele segue uma premissa de "evolução", que, ao que parece, invade até o próprio formato do jogo. Em alguns momentos ele parece mais um shmup com scroll vertical normal e a nave controlada pelo jogador não é mais fixa na parte inferior da tela. Os gráficos pseudo-retrô também ficaram muito bons e devem ter montes de power-ups, chefões e etc.

Quem quiser conferir o vídeo do anúncio, é só clicar aqui. Uma pena que eu não tenha um iPhone, nem iTouch nem nada perto disso.

19 de nov. de 2008

Shmups que mereciam continuação

Este é o primeiro "mini-documentário" do blog. Espero que gostem!

Às vezes, quando ficamos sabendo que vai sair continuação de um filme que gostamos, vem aquele frio na barriga e o sentimento de "lá vem lixo". Continuações nem sempre funcionam, isso é fato. Para filmes, ao menos, onde o mais importante é o enredo, o fato de "esticar" algo pré-existente pode vir a ser danoso. E mais, tem vezes que nós ficamos felizes por não saírem continuações. Não por não gostarmos do filme, mas por acharmos que o que existe é suficiente e que se sair algo mais, vai ser inferior. Muda o diretor, muda a proposta, a coisa sai toda acaba se tornando uma tortura televisiva que, teoricamente, derivou daquele filme que gostamos tanto.

Já na esfera dos games, temos histórias de continuações de sucesso e outras nem tanto. Muitas séries duram vários títulos sem perder o foco, outras mudam completamente com os anos, e outras, ainda, são uma caixinha de surpresas. Mas existem alguns jogos que são tão bons que é simplesmente desperdício não haver continuações. É claro que ser o único mantém o aspecto "cult" do jogo e muita gente gosta disso. Mas, em nome da existência deste post, vamos considerar aqui pessoas que gostem de jogar e não cultuar jogos, ou seja, que estejam interessados em jogos novos, baseados nos antigos, para se divertir novamente e não apena coloca-los na prateleira e ficar admirando (quadros existem para isso, afinal).

O critério, portanto, é: Ser um jogo bom e que não teve continuação. Deu um certo trabalho fazer a lista, afinal, algumas plataformas ficaram de fora e alguns foram citados aqui por menção honrosa. Mas, enfim, vamos à ela:

NES: Crisis Force (Konami, 1991)

Jogo excelente, feito pela Konami, provavelmente aproveitando as fases de scroll vertical de Life Force. Para um ou dois jogadores, dá para escolher três naves e tem umas cut-scenes bem bacanas na abertura. O sistema de armas é meio confuso e o ritmo do jogo fica meio lento às vezes, mas é possível evoluir a nave para uma "super nave" com os power ups e especiais. A música é linda e os efeitos visuais são do tipo que só foram se igualar com o lançamento dos primeiros jogos de Mega Drive. Não dá para entender o porquê da Konami não ter seguido com a série, já que Gradius tem scroll horizontal e a jogabilidade é bem diferente. Acho que ninguém ia reclamar de ver um Crisis Force 2 para Mega Drive ou mesmo para Super Nintendo, ainda que anos depois.

MSX: Space Manbow (Konami, 1989)

Nunca descobri porque não fizeram um Gradius para MSX 2.0, mas minha maior suspeita é que superar Space Manbow não seria fácil. O jogo, que não tem nada à ver com a série Gradius, é um shmup horizontal que tira leite de pedra do MSX. Cheio de gráficos lindos, música excelente, chefes grandões e muito bem-feitos para a época, além de possuir scroll variado e um nível de dificuldade que não massacra e também não facilita. Peca pelas poucas opções de jogabilidade e pela falta de power-ups decentes (afinal, quem está acostumado com Gradius acha um saco só ter duas armas em um jogo tão similar sendo que é feito pela mesma empresa). Até fizeram uma continuação homebrew, em 2005, com o nome de Space Manbow 2, mas segundo os reviews, o jogo é tecnicamente fraco e só rendeu aos produtores o respeito da legião de fãs. Bom mesmo seria se a Konami metesse a mão na massa e fizesse um Manbow 2 oficial. Aí sim...

Master System: Cloud Master* (Taito / Hot-B, 1988)

*Também conhecido por Chuka Taisen.

Confesso que nem ia incluir o Master System aqui nesta lista, uma vez que tem poucos shooters e 90% deles são sofríveis e/ou tiveram continuações (como Power Strike / Aleste). Outros, ainda, como Fantasy Zone, eu me recuso a colocar aqui por motivos óbvios: Na real, não sei quem tanto gosta dessa série. Mas lembro-me de um jogo que joguei muito no Master System, que era Cloud Master. Não é um primor, nem uma obra prima, mas passei muito tempo derrubando bichos mitológicos orientais com o rapazinho montado na nuvem. Existem outras versões do jogo, como a de MSX, mas a de Master System é a melhor (com som FM e scroll decente, fora que o jogo em si parece mais bem-acabado). O engraçado é que quando fui fazer a pesquisa sobre ele, descobri que já estão planejando uma continuação, de nome Shin Chuka Taisen, para Nintendo Wii. Mais parece um remake que uma continuação, mas ficou muito bom. E convenhamos, o jogo é a cara do Wii. Vi em alguns sites que sairia para PS2 também, mas até agora nada confirmado.

Mega Drive: Gaiares (Telenet, 1990)

A falida Telenet, que se tornou Renovation, era uma das minhas softhouses favoritas e tinha por marca-registrada lançar jogos com cara de anime e voltados quase que exclusivamente ao público japonês. Shooters, jogos de ação com menininhas com roupas de colegial e outras experiências bizarras com FMV em temas diversos. Porém, alguns shooters excelentes vieram desta leva e Gaiares, sem dúvida, é o melhor deles. Com uma arte, música e jogabilidade soberba, e um nível de desafio que tende a variar (ficando alto boa parte do tempo), o jogo conta ainda com um sistema que permie roubar as armas dos inimigos para si. Isso sim, era inédito! Se o inimigo tinha um laser grande e largo, era possível atirar o option nele e copiar (em parcelas) este laser. Alguns tiros não ficavam iguais, mas faziam mais ou menos a mesma coisa que os originais. Os chefões eram sempre robôs japoneses bem humanóides, imitando deuses e criaturas mitológicas, e o jogo é lotado com efeitos visuais como hiperespaço, viagem dimensional, nevascas, vento, água, etc. Sem dúvida, um dos melhores jogos de Mega Drive, mas, ficou perdido no tempo.

Amiga: Battle Squadron (Electronic Arts, 1992)

Esse é um dos muitos desconhecidos que o povo deixa passar batido. Um jogo bonito, difícil e cheio de pontos interessantes. Alguns inimigos tem um dispositivo de camuflagem parecido com o do "Predador", outros levam muitos tiros para morrer e outros, ainda, parecem adivinhar quais são seus próximos movimentos, desviando-se. Existe um sistema que permite jogar pela parte de cima ou de baixo do cenário, as armas ficam bem grandes depois de alguns power-ups e a jogabilidade e a dificuldade andam juntas, dependendo apenas da habilidade do jogador. As únicas questões sobre Battle Squadron: a) Muita gente não tem paciência para começar a jogar, pois o jogo já é difícil desde o começo. b) Muitas pessoas tem um preconceito bobo com relação ao Amiga, e simplesmente não o jogam. c) Muitas pessoas, donos de Amiga, usavam como controle aqueles malditos joysticks clássicos de Atari, que são horríveis para se jogar qualquer coisa (inclusive Atari!), quem dirá um shooter difícil feito Battle Squadron. Existe versão para Mega Drive, mas é visivelmente inferior, principalmente a música.

Super Nintendo: Axelay (Konami, 1992)

Este aqui eu também nunca entendi se era para ser uma versão nova de Salamander, um novo Gradius para SNES ou uma continuação de Space Manbow. Enfim, Axelay é provavelmente um velho conhecido de todos aqui. Jogo feito pela equipe que saiu da Konami e veio depois a fundar a Treasure, que também dispensa comentários, é considerado um dos clássicos eternos dos shooters. O jogo começa com um scroll vertical que utiliza o sistema de scaling / rotação dos SNES, porém, à partir da segunda fase alterna para visão lateral, muito similar a Gradius. Um jogo extremamente fine-tuned, que utiliza um sistema de armas que pode ser trocado usando os botões L e R, fases extremamente criativas, cada uma com seu desafio próprio, assim como os chefões. Este é, provavelmente, juntamente com Gaiares, um dos casos em que jogos ficaram mais injustamente esquecidos no limbo, sem continuação. Quem não adoraria ver um novo Axelay? Será possível que a Konami, Treasure (ou quem quer que seja que ficou com os direitos do jogo) não sabe disso?

PC Engine: Aero Blasters* (Hudson / Kaneko, 1990)

*Também conhecido por Air Buster.

O PC Engine é praticamente o Golden Grail dos shmups, tanto em qualidade quanto em quantidade, porém, muitos deles tiveram as devidas continuações e ficaram de fora da triagem. No entanto, este aqui é um jogo bem bacana, bonito, com um nível de desafio alto e que ficou sem "filhotes". Aero Blasters é um daqueles jogos que você ama odiar. Ele te dá uma surra com tanta classe, logo nos primeiros estágios, que você ou leva para o lado pessoal (e continua jogando) ou assume que é ruim e vai jogar Bomberman. Cheio de referências de anime, como naves que nunca voariam, armas exageradamente grandes e fases que tem corredores longos com scroll rápido e chefões bizarros, ele é o tipo de jogo que dificilmente passa batido por quem quer que seja minimamente interessado em shooters. Existe um modo para dois jogadores, que é bem útil, pois a quantidade de inimigos é enorme e alguém para levar tiros com você faz falta às vezes. Também não teve continuação, porém, saiu versão para Mega Drive em 1991, praticamente igual (tirando a música).

PC Engine CD: Lords of Thunder* (Hudson, 1993)

Conhecido no Japão como Winds of Thunder.

Continuando sobre o PC Engine, este aqui é mais um jogo que a gente se pergunta o porquê de ter sido esquecido. O background é bom, o sistema é bom, a produção é excelente, o resultado final é sensacional... e no entando a Hudson simplesmente engavetou depois do primeiro, sem dó nem piedade. O jogo conta a história de uma guerra entre deuses, onde o personagem pode escolher uma armadura de um dos quatro elementos (que vai definir o tipo de tiro), fora comprar itens com os cristais que são coletados durante o jogo. A música é heavy metal do começo ao fim, e valeria a compra do CD nem que fosse só para ouví-la. Quando o personagem chega perto de um inimigo, ele saca uma espada e dá porrada, mais ou menos como em Strider, além de terem bombas e power-ups à disposição. O jogo fez tanto sucesso que saiu para Sega CD também, em uma versão mais simples graficamente, sensivelmente mais fácil, porém, com a música melhorada. Não sei se ela foi tocada novamente ou se simplesmente remasterizaram, ou se o Sega CD tem um audio melhor, mas ela soa muito melhor que no PC Engine.

Neo Geo: Last Resort (SNK, 1992)

No meio de tantos bons jogos de luta, não era de se admirar que a SNK fosse se esquecer de Last Resort. Afinal, era década de 90, todo mundo queria ter sua versão de R-Type, e a empresa que crescia furiosamente e dominava os arcades do Japão e do mundo não poderia ficar de fora. Por conta das enxurradas de clones de Street Fighter que a SNK produziu, Last Resort acabou se tornando um jogo com pouca visibilidade na época e que mesmo os fãs de shmups acabaram não dando muita atenção. Porém, é um shooter excelente, difícil, longo e que deixa até os mais experientes "arrancando os cabelos" em certos momentos. Ele é o que eu chamo de a única versão de R-Type que é tão boa quanto o original, tanto em termos de desafio, quanto nos outros quesitos. Não deixa nada à dever nos gráficos nem na parte sonora, e só peca um pouco pela dificuldade em certas fases, onde os designers quiseram ser mais hardcore que os caras da Irem que projetaram R-Type (que convenhamos, já são hardcore o suficiente!). Em alguns pedaços o jogo simplesmente massacra o jogador. Mas nem por isso ele é ruim! Aliás, se está nesta lista é que, injustamente, não teve uma continuação digna.

Sega Saturn: Terra Diver* (8ing / Raizing / Electronic Arts, 1996)

Também conhecido por Soukyugurentai. Também há versões para PSX e Arcade, mas são inferiores.

Se o PC Engine é o Golden Grail dos shmups, o Saturn é o Silver Grail (se é que o termo existe). Afinal, é a plataforma onde nasceu o aclamado Radiant Silvergun, que só não está aqui na lista por ser considerado o antecessor espiritual de Ikaruga. No entanto, temos Terra Diver para o posto de "jogão sem continuação" da plataforma, e ele o merece sem dúvida alguma. O jogo é tão complexo que até se assemelha de certa forma a Radiant Silvergun. O jogador pode escolher entre três naves, cada uma com um conjunto de armas similares, porém, com características diferentes. Existe uma arma normal, uma especial e uma classificada como "wide array", que usa uma espécie de sistema de radar para travar e atingir vários inimigos ao mesmo tempo. O que realmente assusta em Terra Diver é o capricho em tudo. Os gráficos são excelentes, mesmo sem abusar do 3D (que não era o forte do Saturn), a música é linda e as sequências das fases é de tirar o fôlego. Tem uma, que eu adoro, que é o mergulho das naves dos jogadores, que saem do espaço e vão até o solo do planeta, para um ataque rasante contra um tanque enorme. Assista e diga se eu estou exagerando. E mais um que, infelizmente, ficou só no primeiro título...

Playstation 1: Einhander (Square, 1997)

Como assim a Square, que praticamente só faz RPGs, fez um shmup e ficou bom? Pois é! E ficou mesmo! Einhander é um jogo excelente, um dos melhores do PSX (entre shooters e outros), e foi obra de especialistas em outro gênero*. A nave tem uma espécie de "braço", que se conecta com os power-ups que são coletados dos inimigos, podendo muda-los de posição ou descartá-los. Já é um game totalmente em 3D, com câmeras que mudam de posição de tempos em tempos e causam alguma desorientação, mas nada que o desmereça. É tudo tão cuidadosamente bem-feito em Einhander que chega a parecer piada que a Square não tenha investido mais neste tipo de jogo. O jogo foi recentemente re-lançado para PSN, o que poderia ser um convite à uma continuação. Afinal, sonhar nunca é demais.

*Por mim, que odeio RPGs, eles podiam fazer SÓ shooters mesmo! Final Fantasy sucks!

Dreamcast: Rez (Sega / Uga, 2001)

Acharam que eu ia escrever sobre Ikaruga, né? Pois é, a dúvida entre os dois títulos era imensa e só consegui desempatar com o seguinte pretexto: Existe uma continuação de Ikaruga prometida para os consoles atuais. Se é boato ou não, eu não sei, mas nem o próprio Tetsuya Miziguchi, criador de Rez, embora tenha dito que está considerando a hipótese de uma sequência, não fez mais nada depois de Rez HD para Xbox 360. Sendo assim, Rez está mais em risco de ficar sem "filhotes" que o shooter da Treasure, que também foi lançado recentemente na XBLA. Em outras palavras, se lançarem Zero Gunner 2, Under Defeat, Border Down e Gigawing para XBLA, poderemos considerar que o Xbox 360 finalmente "fagocitou" o Dreamcast, pois não há mais razão para tê-lo. Ah, sobre Rez... bem, basta dizer que muita gente o considera uma experiência quase religiosa / transcedental, sendo também um dos primeiros jogos musicais da história (que acabaram virando moda ultimamente), além de ser um jogo retro-moderno com uma das melhores trilhas sonoras já feitas. Quem não jogou, que o faça AGORA! (Também existe para PS2!)

Playstation 2: Gradius V (Konami / Treasure, 2004)

Hein? Como assim? Gradius é uma franquia! E Gradius V é uma continuação dos demais! Sim, é fato... esta colocação aqui contraria a regra que eu mesmo coloquei para esta lista. No entanto, esta é mais uma parte da minha campanha: "Desengavetem a @#$%& do Gradius VI, Konami!!!". Conforme eu falei aqui anteriormente, eles simplesmente definiram que o próximo Gradius não é prioritário e que ele vai ficar aguardando produção até segunda ordem. Não tenho ficado muito feliz com o que a Konami tem feito com as principais franquias ultimamente, mas não acredito que eles venham a estragar o próximo Gradius, que é uma série que já tem mais de 20 anos! Além do que, é só entregar na mão da Treasure (de novo) e deixar que eles façam o trabalho. Ah, é claro que o PS2 tem bons shooters que poderiam estar aqui, mas alguém consegue me provar que há outro que merecesse mais uma continuação? Deixar o público sem esperanças de continuação com uma nova geração de videogames já instalada é no mínimo triste.

PS: E você, sentiu falta de algum nessa lista ?

PS2: Em breve: Shmups de ARCADE que mereciam continuação!

7 de set. de 2008

Flying Shark (Toaplan / Taito - 1987) Arcade

Aproveitando o clima de retrospectiva, nostalgia e aviões antigos, vou falar sobre Flying Shark, que é considerado por muitos um marco na história dos shmups e que veio a definir as principais características do estilo nos anos que se seguem.

Também conecido como Hishou Zame (飛翔鮫) ou Sky Shark (versões americanas, como a de NES), as principais características deste shmup são o minimalismo, capricho nos detalhes e a dificuldade extrema. Tudo em Flying Shark parece ter passado por um ajuste fino, cortesia da parceria Toaplan / Taito, que era algo invejável na época pois se tratavam de dois gigantes (hoje em dia a Toaplan "morreu" e a Taito nem é tão gigante assim, mas continua produzindo bons jogos).

Houveram versões para praticamente todas as plataformas da época, como Amiga, Commodore 64, PC, ZX Spectrum, Amstrad, Atari ST, X68000, FM Towns e NES. A grande maioria das versões conseguiu capturar bem a mecânica e a dificuldade do jogo, porém, a beleza dos gráficos e da música não foi fielmente transportada para nenhuma delas. Nada se compara a jogar a versão Arcade. Em uma máquina de Arcade, de preferência. Eu pude jogar, nos idos de 88 a 90, no Shopping Iguatemi, e considero-me um privilegiado. Lembro bem que a máquina ficava entre Arkanoid e Gladiator, outros dois favoritos. Havia uma Black Tiger por perto também, a qual eu dividia metade das fichas compradas, sendo que a outra metade ficava com Flying Shark.


Tanques, biplanos, um rio barrento e uma arma que dispara 1 tiro à cada 2 segundos... o que mais um homem pode querer?


O jogo é um shmup vertical sem muitas opções. Você pode capturar power-ups (as letras "S" que vem voando quando se destroi uma fileira de biplanos vermelhos) ou bombas, que aparecem aleatoriamente quando se abate inimigos. Os power-ups aumentam de forma lenta e gradual o poder-de-fogo e só há uma arma. As bombas praticamente limpam a tela toda, porém, fazem mais estrago no local onde explodem. É possível ganhar bônus matando fileiras de biplanos amarelos. Há inimigos grandes como tanques, navios, bombardeiros lentos que surgem por trás e bunkers com artilharia anti-aérea espalhados pelo cenário. Também é possível destruir o topo de morros para revelar garagens de tanques, o que acaba atrapalhando um bocado, pois eles todos começam a atirar em você assim que surgem.


Você deve estar pensando: -"Porque raios este sujeito falou tão bem de Flying Shark nos parágrafos anteriores sendo que o jogo parece só mais um shmup bobo, antigo e sem-graça?" A resposta está no termo ajuste fino, que também foi citado lá em cima. Flying Shark não conta com tempestades de tiros, nem com apelo visual, nem com inimigos que tomam a tela toda, muito menos com um poder-de-fogo absurdo capaz de varrer a tela. Ele é um jogo único pelo capricho em que tudo foi planejado. Os inimigos tem o dom de mandar um tiro no local exato onde seu avião vai estar dentro de 2 segundos. E não são milhões de tiros, é um só! Os chefes precisam de muitos tiros para morrer... e se você pensa que as bombas vão salvar sua vida, está muito enganado! Elas danificam bem as máquinas maiores, mas em muitos casos só vão te dar algum tempo para respirar. A cadência com que os inimigos entram na tela, já mirando e atirando em você, é algo fantásticamente difícil, cruel e sádico. O jogo requer ATENÇAO PLENA E ABSOLUTA em 100% do tempo, caso contrário, você vai acabar morrendo à rodo. Este não é um jogo para quem gosta de shmups. É um jogo para quem quer desafio. Não tem muitos recursos, nem um speed up seu avião tem (e olha que isso seria ótimo!), e os inimigos vem em grande escala.


Vai se acostumando a olhar pra essa tela...

Aí, novamente, você vai dizer: -"Que porcaria! Se o jogo é tão difícil assim, por que jogá-lo?" Só posso garantir que Flying Shark é divertido na mesma proporção que é difícil. Os poucos recursos fazem uma curva de aprendizado rápida, onde o jogador (depois de apanhar um bocado no começo), já passa a dominar as noções básicas em pouco tempo e passar com certa facilidade o começo do jogo. Os inimigos são muito bem-programados, porém, tem suas limitações, e quando você descobre como estas limitações funcionam e passa a explorá-las, o jogo ganha uma nova dimensão. Exemplos: Os aviões quase não fazem curvas. Se você não pode derrubá-los, apenas desvie. Os tanques não conseguem virar as torres rápido o suficiente para te atingir, e só atiram quando você está na mira... portanto, continue se mexendo! Alguns bunkers não atiram "para cima", portanto, fique exatamente em cima deles e atire.

Vamos aos números de Flying Shark...

Gráficos: 9.0

O jogo tem gráficos lindos para a época. Os cuidados com cores, sombras, colisão de sprites, com um mínimo de slowdown possível. Alguns sprites são realmente grandes, outros são enormes (se é que são sprites), e tudo se comporta muito bem ao mesmo tempo na tela. O jogo só não ganha um 10 pois Flying Shark não inovou muito. Os inimigos são muito repetitivos, alguns apenas mudam as cores, outros simplesmente aparecem várias e várias vezes em seguida. Quase perfeito, o que não quer dizer que não seja excelente!

Som: 9.0

Assim como a série 194X, Flying Shark tem músicas apropriadas. É uma melodia com som de marcha militar, instrumentos em FM, rápida e adequada. Não me lembro de ter outro jogo, naquela época, que casasse tão bem com a música. Alguns instrumentos são meio estridentes e algumas músicas parecem repetir-se várias vezes, mas no geral é um ótimo trabalho.

Desafio: 10.0 (mas podia ser 11!)

Se tem um shmup casca-grossa, seu nome é Flying Shark. Eu diria que todo mundo devia tentar jogar ele pelo menos uma vez na vida, só para poder ter como referencial. Se você é um jogador de shmups do tipo "liga-júnior", que gosta de armas grandes e inimigos burros, esqueça este jogo. Se você quer desafio, achou o jogo perfeito.

Diversão: 10.0

A palavra "Classico" se encaixa bem. Quem jogar Flying Shark vai entender o porquê de ele ter sido lançado para tantas plataformas, de ter sido inspiração para tantos jogos e de ser tão jogado até hoje. Quem conseguir suportar o treinamento alá "Pai Mei" das primeiras horas de jogo, vai ver que é um jogão que ninguém deve deixar de dar uma olhada.

Overall: 9.5

Um clássico sem dúvida. Dá vontade de comprar a máquina de arcade pra colocar na sala.

Pontos interessantes:

- CPU: Um 68000 + Z80 + 320C10 + um YM-3812 para o som.
- A Continuação saiu para Mega Drive e Arcade, com nome de Same! Same! Same! (ou Shark! Shark! Shark!).
- A versão americana (Sky Shark) é uma das placas de arcade mais difíceis de se fazer manutenção, especialmente dessoldar os chips. O mesmo problema não ocorre com a japonesa.
- O jogo tem ligação com Batsugun, outro título da Toaplan, que curiosamente é o oposto total de Flying Shark. É um jogo extremamente fácil, com apelo visual e armas monstruosas que varrem a tela. Mas é um shmup muito bom!
- Segundo a história de Batsugun, o piloto do avião de Flying Shark se chama Rom Shcneider.
- A versão de X68000 é quase tão boa quanto a de Arcade, e é um pouco mais fácil. Quem quiser tentar jogar Flying Shark Light, é a que eu recomendo.
- A versão de Amiga e Atari ST é tenebrosamente horrível. O hardware é quase o mesmo e eles conseguiram dar um downgrade terrível no jogo. Não vale nem colocar o vídeo aqui. Já a versão de ZX Spectrum é bem legal, levando em consideração o hardware, e vale muito à pena ser jogada.
- Há também para Mega Drive e Arcade um jogo chamado Fire Shark. Não consegui cruzar informações para confirmar se é o mesmo jogo que Same! Same! Same! ou não. Update: Sim, Fire Shark e Same! Same! Same! são o mesmo jogo !

16 de mai. de 2008

Ibara (Cave - Taito / 2005) - PS2


(Originalmente postado no blog AV3, o qual o autor também participa. Passe lá para informações sobre não-shmups!)

Tem dias em que você simplesmenteo olha para seu console favorito
(seja lá qual for) e se pergunta: Será que existe um jogo bom, em algum lugar, que eu não estou jogando pois nunca ouvi falar? Aquele jogo ótimo que saiu em algum lugar do mundo e que nunca chegou em suas mãos?

Se você é dono de um PS2 e está se fazendo essa pergunta, "Ibara",
shooter da CAVE, é a resposta. O jogo tem tudo que se espera e um pouco mais: Garotas de lingerie.

Opa, mas, espera aí: O que garotas de lingerie tem à ver com um shooter? Pois é, boa pergunta! Resposta pra isso não há, assim como também não encontrei nenhuma explicação para as rosas enormes que dão bônus de score. De qualquer forma, em termos de visual, é bem melhor que Cho Aniki!

O jogo é um shooter vertical para um ou dois jogadores, que conta com dois modos - Arcade e Arrangement - com algumas diferenças entre si. Há uma infinidade de itens que podem ser pegos pela tela, dentre eles power-ups para o armamento (que geram options também), cartuchos de munição (que quando acumulados dão bombas), as famigeradas rosas (que aumentam a pontuação) e os tradicionais 1Up e outros easter eggs que a Cave sempre deixa pelo meio do cenário. O divertido do jogo é que não é só a sua munição que destrói coisas. Se você atira em um prédio e este explode, os fragmentos acertam os inimigos (mas não você) causando danos. É possível provocar explosões sequenciais em determinadas fases, que ajuda bastante a limpar a tela.

A principal diferença é o comportamento da bomba: No tipo A é possível disparar a bomba normalmente, abrindo um "leque" à frente da nave, ou segurar o botão e atrasar o lançamento, causando um super-tuchão (DonPachi de novo?) que fica na tela destruindo tudo e anulando os tiros dos inimigos por volta de dez segundos. As outras naves não permitem esta variação, que é particularmente útil ao lutar contra os chefes. A nave tipo "A" é a padrão no modo Arcade e as outras só são selecionadas no Arrange.

No modo Arcade, só há uma nave e o sistema de armas é do tipo "pegou, ficou". Cada arma gera um option, que dispara aquele tipo de tiro, e é possível acumular até três options de uma vez. É possível controlar o comportamento dos options (como em M.U.S.H.A. Aleste, de Mega Drive), o que é fundamental para sobreviver às toneladas de tiros e inimigos que aparecem.

Já no modo Arranged até a música é diferente. Diferente do "Arcade", as armas vão se acumulando em uma barra embaixo da tela, sendo possível alternar de uma para outra (como em Thunderforce). É possível segurar o botão de rapid shot pressionado, formando uma coluna de tiros que diminui a velocidade da nave - mais ou menos como o laser da série DonPachi.

Além disso, há quatro tipos de nave: A, B, C, D e dois personagens (1P = Bond, 2P = Dyne). Cada personagem tem quatro naves diferentes, ou seja, oito opções de naves que diferenciam-se pela velocidade, tipo de tiro e de bomba.

Como se isso não bastasse, há muitas variações de dificuldade, para todos os gostos. Eu achei o jogo difícil se configurado para qualquer coisa acima de "hard". A menos que você tenha oito olhos e reflexos de Homem-Aranha, vais morrer a rodo.

A versão de PS2 permite aumentar o contraste dos tiros, que parecem ter sido projetados para confundir a visão do jogador. Essa opção ajuda um bocado nos momentos mais hardcores do jogo. Dá para voltar ao modo normal, onde você morre a granel, mas eu, particularmente, não recomendo.

Em suma: Se você é daqueles que reclama por não ter o que jogar no seu PS2, pegue Ibara. Além de ser um excelente shooter, com um ótimo valor de replayability, tem várias opções para modo 2 players e um nível de desafio muito bem planejado. Se você é fã de shmups, o jogo é mais do que obrigatório.

Vamos aos números de Ibara:

Gráficos: 8.0 - Pra um Saturn, seria um 10, mas o PS2 podia fazer melhor. Muito bonito, graficamente detalhado, mas foi feito nos moldes da geração passada. Não digo que tinha que ser em 3D, mas um pouco mais de capricho deixaria o jogo perfeito.

Som: 8.0 - Ibara tem uma música muito boa e casa bem com o jogo. Não chega a ser excepcional, mas os caras não fazem feio. A música no modo arrangement é diferente da normal e ambas são boas. É uma trilha com cara de shmup, mas você não sai assobiando ela na rua ou no chuveiro.

Desafio 8.5 - Prepare os polegares e esteja pronto para tomar bala de todo lado. O jogo arranca o couro do jogador desde o início. A surra fica mais moderada no modo 2 players, mas mesmo assim, não é para iniciantes. Tem momentos bullet-hell e momentos methodical shmup, alternados conforme as fases.

Diversão 8.5 - Passei muitas horas na frente de Ibara e passarei muitas mais. É um shmup bacana, viciante e que vai tirar o sono até dos mais experientes.

Overall: 8.5 - Veredito: Shmup obrigatório aos donos de PS2.

Pontos Interessantes:

- Não existe um momento de sossego sequer, do começo ao fim do jogo. É porrada em cima de porrada. Não jogue com sono.
- É meio difícil aprender a "ler" a movimentação dos tiros, mas uma vez dominada, o jogo flui bem.
- Os fãs de M.U.S.H.A. vão adorar os options deste jogo, que se comportam de forma muito parecida.
- Opções. Muitas opções MESMO. Há 1000 maneiras de jogar Ibara, descubra a sua.
- Há dois jogos anteriores ao Ibara que seguem mais ou menos a mesma estrutura: Battle Garegga (Saturn / Arcade) e Battle Bakraid (Arcade). Se gostou deste, vá atrás dos outros dois!