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10 de mar. de 2014

Preview: Assault Suit Leynos (PS4)


O leitor talvez não tenha tido idade ou contato com o Assault Suit Leynos clássico do Mega Drive (renomeado no ocidente como "Target: Earth"). Este run'n'gun teve um relativo sucesso no Japão e nos EUA, mas não chegou a ser um título popular aqui no Brasil. O jogo, diferente de Contra e Metal Slug, coloca o jogador no lugar de mechs que precisam varrer tudo o que aparece na tela, porém usando as armas de forma estratégica, já que a munição é finita e preciosa. Não é um jogo tão dinâmico quanto os outros dois citados, pois o mech que o jogador pilota é pesado, sofre avarias e não tem a mesma agilidade dos outros run'n'gun, porém, é preciso usar a cabeça para chegar vivo ao fim da fase. Há estágios que são labirintos, outros que requerem bombas para se abrir portas (e se você já gastou todas, vai ficar preso) e é preciso entender e otimizar o funcionamento de cada armamento. Uma mistura inteligente de shmup, anime (fortemente influenciado pelos desenhos da década de 80/90) e jogo de plataforma, Leynos conta com toda uma história de pano de fundo para o tiroteio ao longo de várias reencarnações no Mega Drive, SNES, Saturn, PSX, PS2 e agora PS4.

O trailer não está lá essas coisas, mostrando muito pouco, mas o jogo já foi anunciado, com página oficial e tudo mais. Não lembra de ter jogado? Aposto que jogou sim! O problema é que, por razões desconhecidas, o nome dos jogos (sem falar nos próprios) sofreram muitas alterações no processo de localização entre os mercados ocidental e oriental. Por exemplo:



Assault Suit Leynos / Target: Earth (Mega Drive / Sega Genesis): Onde tudo começou. Jogo bom, meio difícil para a época, lembro que várias pessoas desistiram de jogar porque não tiveram a paciência de dar pause e trocar de arma, ou buscar munição, ou correr do inimigo de vez em quando. O pulo é um jetpack, que precisa ser dominado, ou seja, prato cheio para quem gosta de jogo difícil.



Assault Suit Valken / Cybernator (Super Famicom / SNES): Primeira continuação do jogo, já lançado para o SNES, o salto de melhoria em todos os aspectos foi significativo. Gráficos mais bonitos, jogo mais longo, controle mais responsivo (e personagem menos lerdo!), mantendo toda a classe do original e implementando novas idéias de jogabilidade. Sem falar que os novos recursos do SNES deixavam o jogo graficamente impressionante (explosões, lasers, zoom, etc).



Assault Suit Leynos II (Sega Saturn, lançado apenas no Japão): Tido por muitos (eu incluso) como o melhor jogo da série. Extremamente competente e bonito, ainda que tenha saído um pouco tarde, o jogo é aquilo que se espera de Leynos. Difícil pacas, longo, cheio de macetes que precisam ser dominados, foi uma pena que só tenha sido lançado no Japão, o que dificulta as coisas (muitos dos diálogos tem relação com seu objetivo na fase. O jeito foi terminar na base do acerto e erro, mas também não foi nenhum sacrifício. Naquela época ao menos, quando eu tinha tempo infinito).



Assault Suit Valken II (PSX): Como tudo que fez sucesso na era 16 bits, é lógico que tentaram fazer uma versão "3D, melhorada, para aproveitar as novas tecnologias" na geração 32 bits e, claro, como você sabe (ou vivenciou), ficou uma grande porcaria. Valken de PSX é um jogo de estratégia (ruim por sinal), que lembra um pouco Front Mission e não conta com praticamente nenhum elemento da série original. Este fenômeno desagradável de "tornar 3D" aconteceu com tantas franquias de sucesso na era PSX que é impossível listar apenas alguns. O bom é que, aparentemente, as produtoras aprenderam a lição de deixar no 2D o que é 2D (tirando Metal Gear, claro).




Assault Suit Valken (PS2, remake do Cybernator de SNES): Olha aí o resultado do que eu falei do vídeo acima. Voltaram e corrigiram o erro! Cybernator de SNES, refeito para PS2, traduzido para inglês, música remasterizada e gráficos melhorados. Levou uma geração para corrigir, agora no PS3 levou mais uma para sentirmos falta*, e dá-lhe Leynos de volta no PS4!



Metal Warriors (SNES / Super Famicom): Hein? Quer dizer que Metal Warriors é parte do universo Leynos? Bem, na verdade não é! Este jogo foi feito pela LucasArts, que não tem nada à ver com a produtora original da série, que é a Masaya. Acontece que tanto Cybernator (que é da série Leynos) quanto Metal Warriors fizeram muito sucesso e foram publicados pela Konami nos EUA, o que causa alguma confusão principalmente pelo fato dos jogos serem absurdamente similares. Parece até que alguém na LucasArts era fã de Leynos e teve a brilhante idéia (sem ironia, o Metal Warriors é excelente!) de fazer sua própria versão. Aesar de ser o mais conhecido "irmão bastardo" de Leynos, é um jogaço e um dos meus favoritos da biblioteca do SNES.




*Wolf Fang / ROHGA Armor Force (PSX / Arcade / PS3): O que? Outro filho bastardo? Sim! Não é exatamente igual, mas um jogo muito inspirado em Leynos, Wolf Fang é um bastardinho muito bacana e que cumpre seu papel. Saiu originalmente para arcade, o jogo permite que você monte seu próprio mech em um run'n'gun side-scroller bem mais ágil que Leynos, mas obviamente influenciado pelo predecessor. Ah é, e com opção para dois jogadores! O jogo logo ganhou versão para PSX, a qual foi recentemente adicionada à biblioteca de clássicos jogáveis no PS3, podendo ser comprado na PSN por uma mixaria.



GunHund EX (PSP): Po, mais um? Sim, quando eu falei que o sucesso da fórmula foi grande, não estava de brincadeira! Este ilustre desconhecido é um jogão também, exclusivo do PSP e que foi citado aqui no blog há um tempo. Se você gostar do gênero, vale muito à pena jogar, pois é um excelente run'n'gun inspirado em mech.

E aí, conhece mais algum? Esqueci de citar algum filho bastardo? Deixe seu recado aqui ou no Facebook e eu acrescentarei à lista!

6 de set. de 2012

Preview - Gunhound EX (PSP)

Se você gosta de Contra, Metal Slug, Gunstar Heroes e Assault Suits Leynos, já tem motivo para ficar feliz! Gunhound EX, que já existe para PC, vai aterrisar no PSP em dezembro. O jogo lembra muito Contra Hard Corps (Mega Drive) e os mechs de Metal Slug 3 (em diante). Espero que o direcional do PSP dê conta!


Boa parte dos jogos que saem para PSP, hoje em dia, são portados para o PS3 (e, talvez, para o Vita). Será que veremos Gunhound EX nestas outras plataformas? Seria ótimo!

27 de jul. de 2010

Preview - Contra Hard Corps Uprising

Não estava sabendo deste Contra novo. Parece que foi noticiado na E3 e depois na Comi-Con, mas eu não sabia. Contra Hard Corps Uprising é um remake de Contra Hard Corps, um dos melhores jogos da série, exclusivo para Mega Drive. Deve ser lançado para PSN e XBLA. Vem coisa boa por aí!


15 de out. de 2008

Rendering Ranger: R2 (Rainbow Arts / Virgin) Super NES, 1995

Todo mundo lembra do Super Nintendo por causa de Super Mario World, Street Fighter 2 e, no nosso caso, Axelay. Convenhamos que a plataforma não é lá grandes coisas em termos de shmups. Contabilizando, nós temos um punhado de títulos bons, uma dúzia de jogos legaizinhos e só. Nem se compara a biblioteca do Mega Drive ou do PC Engine, que são da mesma época. É certo que o Super NES já era um projeto mais ambicioso, voltado para o mercado do futuro que envolvia jogos em 3D e (ahem!) CDROM, fato que deixou a gente, fãs dos "jogos de navinha", em um vácuo que só foi resolvido com o drive de CDROM mal-parido da parceria Nintendo / Philips / Sony.

Outro sistema que "corria por fora" na época do Super NES era o Amiga. A maioria dos (poucos) jogos bons de Amiga saíram para Mega Drive e Super NES, e um destes jogos foi o magnífico Turrican, que era uma mistura de Contra com Metroid e elementos próprios. Turrican fez um sucesso enorme, teve várias continuações e foi lançado para praticamente todos os sistemas da época (incluindo alguns quase-defuntos, como o ZX Spectrum e o Amstrad CPC), o suficiente para deixar as produtoras com a mão coçando e, à beira do fim do Super NES, em 1995, o autor do jogo, Manfred Trenz, lançou um clone de seu próprio sucesso, chamado Rendering Ranger: R2 - que veio a se tornar um dos jogos mais raros e caros do Super NES.

E o que é Rendering Ranger: R2 ?

Como o autor é chegado em uma mistureba (o que eu acho deveras saudável!), o jogo parece um cruzamento entre Contra e Thunderforce, com a jogabilidade alternada entre as fases. Até o segundo estágio, o personagem vai correndo e atirando para conseguir chegar no hangar onde está a nave dele.

Um dos muitos chefes enomes, e o tiro azul em ação.

Ao pegar a nave, o jogo vira um shmup horizontal bem bacana, cheio de armas e inimigos enormes. Cada tiro sai em um ângulo diferente e tem seus pontos fortes e fracos, e as bombas mudam conforme o tipo de tiro. Também tem options e é possível virar a nave para trás (com o botão que é usado para pulo, no outro modo). No modo run'n'gun, o é possível atirar nas oito direções, além de usar o R e o L para "travar" a arma nas diagonais enquanto o personagem corre, o que ajuda muito para acertar os inimigos voadores ou atirar para cima e agachar ao mesmo tempo.

Alguém gritou "destroy the core" ?

Não tem absolutamente nada em Rendering Ranger que aponte para o amadorismo. Por sinal, o jogo dá até umas sérias dedadas em nomes grandes como a Konami ou a Irem. Os títulos feitos por essas duas para Super NES, que tem um processador com a vergonhosa velocidade de 3.58 mhz, ridícula até para a época, apresentam problemas de slowdown frequentes. Quem já jogou R-Type ou Gradius de SNES sabe bem o que eu estou querendo dizer. No entanto, Rendering Ranger deve ter um código muito bem escrito ou altamente otimizado, pois o jogo todo, do começo ao fim, não dá um slowdown sequer. E olha que estamos falando dos maiores sprites já colocados em um jogo de Super NES!

Vamos aos números de Rendering Ranger:

Gráficos: 8.5

Conforme dito lá em cima, são os maiores sprites que e já vi em um Super NES. Tudo pré-renderizado, o cuidado com o design e as cores é o tipo de coisa que não se vê todo dia. Os inimigos repetem um bocado e às vezes você fica enjoado de ver sprites pré-renderizados congelados, apenas deslizando pela tela, sem animação alguma, mas para um jogo de Super Nintendo está ótimo, é lindo, muito melhor que boa parte dos jogos do sistema e que visivelmente tira leite de pedra no Super NES.

Som: 5

As músicas são meio esquisitas. Podiam ser muito melhores. Boa parte delas parece ser apenas um loop de um trecho de música, para encher linguiça mesmo, que o autor colocou lá sem a pretensão de ser ouvida. Os efeitos sonoros são bacanas, funcionam em estéreo, coisa que na época não era muito comum. Quando você mata um inimigo na direita, ele explode na caixa da direita e assim por diante. Uma pena que justamente a música, que era um ponto forte em Turrican, tenha sido deixada de lado neste jogo.

Desafio: 9

Ô joguinho difícil !!! Tanto nas fases run'n'gun como nas fases da nave! Sem continues, sem save e apenas um sistema de password cuja interface é terrível de usar. Aos insistentes, recomendo usar o action replay ou as senhas. Com um pouco de memorização dá para se virar, mas o jogo sempre consegue te pegar de surpresa. E olha que a nave e o personagem tem barra de vida e um escudo!

Diversão: 8.5

Fiquei horas e horas morrendo e voltando, colocando senhas, matando inimigos enormes e não me arrependo. O jogo é um extrato do que há de melhor (como diria o Agripas) tanto dos shmups quanto dos run'n'gun da era 16 bits. Uma pena que não tenha um sistema de continue mais racional, ficar digitando senha toda hora é chato e o jogo te mata sem dó nem piedade.

Overall: 8

Arredondando pra cima, nota 8 é bem o que o jogo merece. Tira leite de pedra, mistura dois gêneros excelentes, é graficamente lindo, usa e abusa dos efeitos de zoom e rotação, tem chefes enormes, criativos e não dá um segundo sequer de slowdown. Uma pena que nunca tenha sido lançado aqui, no ocidente. Ficamos sem mais essa!

Diabo de capa feia!

Pontos interessantes:

- Embora tenha sido lançado apenas no Japão, no jogo não tem uma palavra sequer de japonês, ou seja, podia ser muito bem um release mundial.
- Saiu com a tiragem limitada de 10.000 cópias. A cópia, hoje em dia, no Ebay, não sai por menos de 300 dólares. Em uma consulta rápida, achei uma por 900 dólares.
- É possível escolher a cor da roupa do personagem e da pintura da nave. São várias opções.
- Não há backgrounds reciclados. O jogo foi TODO desenhado, de cabo a rabo.
- Há fases com a nave em que o scroll muda de lado, indo e voltando, para simular um bombardeio.
- Os "Options" do jogo mais atrapalham que ajudam com certos tiros. O tiro vermelho, em modo máximo, fica pior com options do que sem!
- O "R2" no nome do jogo é só uma brincadeira com os dois "R"s . Não saiu outra versão.
- O personagem mata os inimigos do chão pulando em cima, como em Turrican (ou Super Mario).